onstantemente presente na mídia, a boa discussão que contrapõe livros digitais e livros de papel promete esquentar cada vez mais. Recentemente, um caso não muito divulgado veio a inserir no debate um elemento até então inédito: o sumiço de um título eletrônico!
Contudo, antes de explicar o citado elemento, pense na hipotética situação. Você vai a uma livraria, onde é muito bem atendido por uma pessoa simpática e feliz, que de imediato se prontifica a lhe ajudar em tudo. Com seu prestimoso auxílio, você escolhe e compra o título de sua preferência. Ótimo! Chega à casa e começa a usufruir da nova aquisição. Página a página, o livro vai sendo devorado. Envolvendo-se na trama cada vez mais, você vê os personagens crescendo e, do mesmo modo, cresce a expectativa pelos eventos a serem narrados na página seguinte. A trama é ótima – ele é quase o livro da sua vida! Porém, a noite chega e o cansaço bate. Deixando hesitante o livro de lado, em sua cabeceira, finalmente o sono lhe alcança. Na manhã seguinte a decepcionante surpresa: o livro sumiu. Em seu lugar, um bilhete, um pedido de desculpas, aquele título precisou ser recolhido! O golpe de misericórdia: um vale no valor pago na livraria, para ser usado quando da compra de outro título qualquer. O que aconteceu? Simples: a mesma pessoa que lhe atendeu na livraria entrou em sua casa, enquanto você dormia, e levou embora o seu precioso livro.
Difícil de acontecer? Nem tanto.

Voltemos ao elemento inédito. Aconteceu há poucos meses com os usuários do Kindle, um dos mais conhecidos e-books readers (ou e-readers) do mercado, aquele amplamente comercializado pelo Site Amazon.com. Para quem não conhece o procedimento de compra de um e-book, vale a rápida explicação: compra-se um e-reader, compra-se num site qualquer a versão eletrônica de um livro e pronto, o site lhe transmitirá “pelo ar” o livro para seu e-reader. Para cada e-reader comprado, você poderá comprar centenas de e-books. Tudo ficará eternamente armazenado em seu maravilhoso leitor eletrônico.
Ops: eu falei eternamente? Pois bem, como estava dizendo, aconteceu há poucos meses com os usuários do Kindle. De um segundo para o outros, milhares de usuários tiveram simplesmente apagados de seus e-readers o muitíssimo conhecido título de George Orwell, A Revolução dos Bichos. Parece que por “problemas de copyrights”, a versão eletrônica deste título foi não somente impedida de ser comercializada, mas todos os “exemplares eletrônicos” vendidos tiveram que ser confiscados dos clientes, ou seja, foram apagados. Como eles foram apagados? Muito simples: a Amazon.com teclou “Delete” em seus servidores e pronto, o e-book sumiu!!! Em seu lugar, um crédito para que outro e-book fosse comprado. Frustante!
Quem quiser ler a notícia com mais detalhes, consulte aqui o New York Times.
O sumiço do e-book lança uma série de questões. Entre elas, a pessoa que compra um e-book é de fato seu dono? E quanto a privacidade do leitor, ela existe? Qual a possibilidade de ingerências dos vendedores nos e-readers, ou, dito de modo mais claro, eles poderão colocar e tirar de lá o que quiserem? E ainda mais: imagine-se lendo um livro do autor X e de repente surgir uma mensagem no meio da telinha bradando “se você gosta do autor X certamente deverá gostar de Y – veja só esse lançamento!”. Essas e tantas outras questões suscitadas pelo caso apimentarão o debate livro digital versus livro de papel.
O VOLP aqui ao lado sussurra: oba! Ponto para o livro de papel…
Obs.: Veja aqui uma pequena lista de e-book readers e aqui o Site do Kindle.