esta última semana assisti novamente o filme “Sunshine – O Despertar De Um Século”, dirigido por István Szabó. Excelente. Recomendo-o a todos. Trata-se da saga de uma família judia húngara, contada por um de seus membros. Na história, a qual é baseada em fatos verídicos, vemos a transição daquele país, desde a época do Império Austro-Húngaro no séc. XIX, até a queda do comunismo na metade final do séc XX.
Obviamente não contarei aqui o filme, mas apenas gostaria de ressaltar dois pontos, os quais encontram-se presentes em praticamente toda a narrativa. Primeiro, em meio ao drama familiar, que envolve traições e paixões, ficam bem claras as formas pelas quais novas ideologias substituem velhas ideologias. No enredo, vemos inicialmente a monarquia: ela promete proteção e liberdade para o povo. A monarquia é suprimida e em seu lugar chega o fascismo, também prometendo proteção e liberdade para o povo. Após a queda deste regime, surge o comunismo, cuja bandeira é, adivinhem, proteção e liberdade para a população. Assim, sempre a partir dos mesmos ideais, todos os regimes seguem pautados por corrupção, perseguição e extermínio, fazendo da realidade algo quase insuportável. Em cada um dos regimes ideológicos não faltam os tais “soldados da liberdade”, sempre arregimentados com o fito único de oprimir todos os oponentes da ideologia em voga. E assim vemos, ao longo de toda a narrativa, como a promessa de liberdade pode mascarar a mais ferrenha das opressões.
O segundo ponto o qual destaco é sobre um dos membros da família em questão. Sobre esta pessoa é dito pelo narrador ser ela a possuidora do verdadeiro segredo da família: ter a mente livre. Mas, para que você entenda o porquê disto, será preciso ver o filme.
Abraços.
Carlos Raposo
Dia de Reis passou e eu nem disse nada. Que pecado. Alias, nesse dia, eu não desmontei a árvore de Natal, não comi romã, não fui ver o desmonte da árvore monstro na Lagoa e nem fiz nenhuma das simpatias recomendadas. Que antipático…
No entanto, de uma coisa em me lembrei: Shakespeare! Pois é, que pedante. Entretanto, é isso mesmo que acontece comigo: sempre me recordo de Shakespeare nesse dia. A lembrança fica por conta de sua peça, um misto de comédia, drama e romance, Twelfth Night. De certo, nada como reler a magistral Twelfth Night or What You Will, aqui adequadamente traduzida como “Noite de Reis”.
assado o alvoroço natalino, com todo aquele pacote de novidades que ocorrem em qualquer natal (qual seja, nenhuma, pois é sempre o mesmo pacote, o mesmo embrulho, palavra que faz lembrar imbróglio) chegamos agora ao final de mais um ano.
lgumas pessoas afirmam que a idéia da existência de uma inteligência suprema, Deus, não passa de uma muleta. Eu até que concordo. Também creio que Deus seja uma grande muleta, necessária para dar conforto a muitos, sobremodo em momentos criticos da vida. Contudo, certamente que existem perspectivas diversas desta.
Falar em muleta faz duas determinadas imagens despontarem em meu pensamento. Primeiro, trata-se daquela ilustração representativa do Arcano IX, o Eremita: sua figura traz em uma das mão uma espécie de arrimo, bengala ou muleta. Depois, o assunto também me remete ao já muito especulado enigma da Esfinge, hoje transformado em mera charada a ser proposta nas rodas infantís. Relembrando-o, havia a seguinte questão lançada pelo Monstro grego: qual é o animal que pela manhã caminha com quatro pernas, ao meio-dia usa duas pernas, porém, quando do crepúsculo vespertino, passa então a caminhar com três pernas?