á certo tempo, escrevi uma pequena historia baseada na lenda dos Ciclopes, onde um deles ansiava por ignorância. Recordei-me hoje pela manhã desta historinha quando me dei conta de minha completa ignorância a respeito de uma coisa que, ao que tudo indica, é popular e extremamente bem conhecida.
Ocorre que eu havia acabado de ligar o micro e tão logo pensei escrever algo quando – horrível lembrança – o jesuítico colégio que é meu vizinho começou a tocar alto uma “música” horrorosa, um troço do mais sinistro mau-gosto. Para minha surpresa, quase pavor, eis que os alunos (pré-adolescentes) se puseram a, em coro, acompanhar a tal macabra melodia. O resultado, obviamente desastroso, apenas reforçava a minha opinião sobre o quão ruim é a preferência popular.
Balancei a cabeça negativamente, como que tentando afastar aquela súbita cruel onda sonora, e a todo custo procurei reaver a concentração, necessária para qualquer articulação inteligente de palavras. Quando já começava a me sentir um lótus, o qual, emergindo do pântano lodoso, rompe a superfície das águas buscando luz (êta imagenzinha piegas…), eis que minha linda esposa dispara a seguinte feliz e irônica constatação: “puxa, devemos ser as únicas pessoas no mundo que não sabem que música é essa!”. Foi a luz que eu precisava.
Ah! Que alegria! Quão feliz pode ser a sensação de não se conhecer algo! Como é bom saber que você não sabe nada sobre do que trata aquela música, não entender a letra (apesar dela ter sido escrita em “português” – se é que aquilo é um idioma), não fazer a mínima idéia de quem é o seu intérprete, não saber absolutamente nada a respeito daquilo!!! Conclui que a ignorância, em certos casos, é uma verdadeira dádiva.
Assim, esta pequena mensagem de hoje vai dedicada a você, que muitas vezes (ou todas às vezes) se sente completamente deslocado ante o populacho, que não compartilha com o mau-gosto de nossa sociedade e que, muitas vezes, simplesmente desconhece certas coisas medonhas as quais somos obrigados a ouvir, ler, engolir, etc.
Fazemos, todos nós, parte deste feliz time, o time dos ignorantes, afortunadamente ignorantes.
Abraços.
Carlos Raposo
Faço e acho que sempre fiz parte dessa, nunca numerosa, turminha. Ainda bem (por esse lado).
P.S: Não estou te perseguindo. hehe Talvez seja sincronicidade.
E Carlos como se diz, vox populi vox dei ;que nós continue
na nossa santa e bendita ignorancia.olha como o lulismo se pega mesmo evitando.
abraços
Olá, sou sua nova amiga de Facebook e, através dele cheguei no teu espaço. Estou lendo tudo… Mas agora tive que comentar, porque eu ri de mais.
Quando fazia faculdade, saía tarde da noite do Shopping, em Madureira e tinha que encarar as Kombis caindo aos pedaços, que tomavam conta do ponto final que deveria ser do ônibus.
Não raro, a lata velha, além do ranger dos bancos, vinha tocando aquele tipo de barulho funkeiro impublicável e eu, dando de cara com o ridículo da situação ria copiosamente da situação.
Felizmente veio meu diploma e a escassez da condução alternativa que livraram minha alma do caos.
[...] como nada me ocorre para falar, aproveito para responder a pergunta provocada pelo meu post “Ignorantes, afortunadamente ignorantes…“, sobre qual era a historinha dos ciclopes que eu escrevi. Aqui ela segue, na forma como foi [...]
kkkkkkkkk com certeza!