este início de Primavera, como nada me ocorre para falar, aproveito para responder a pergunta provocada pelo meu post “Ignorantes, afortunadamente ignorantes…“, sobre qual era a historinha dos ciclopes que eu escrevi. Aqui ela segue, na forma como foi escrita, inteiramente baseada no filme Krull.
Para quem quiser algo técnico sobre os Ciclopes, a imagem usada mais abaixo foi retirada de um site sobre mitologia, que poderá ser visto aqui.
A Lenda dos Ciclopes
por Carlos Raposo
Há muito, contava-se que os Ciclopes eram seres alegres e felizes. Naquela época, eles possuíam os dois olhos, como todos os outros seres da região em que viviam.
Movidos por sua natureza investigativa, diz-se que os Ciclopes saíram em sua busca do conhecimento e da sabedoria maior. Assim, durante a jornada repleta de acontecimentos e aventuras, após muito procurarem, eles se depararam com um Grande Mestre, o Senhor dos Mundos Obscuros.
Os Ciclopes, então, contaram ao Mestre os seus anseios e perguntaram se este poderia, de alguma forma, ajudá-los. O Mestre, agindo de acordo com sua sinistra natureza, declarou possuir tal saber, o conhecimento dos conhecimentos, o maior dos segredos entre todos os segredos. “E este segredo será de vós. Tudo porém tem um preço!”, disse com majestade o temível Grande Senhor dos Mundos Obscuros.
Entusiasmados diante da real possibilidade de conseguirem o tão almejado segredo, os Ciclopes, se declararam dispostos a pagar o preço necessário, fosse qual fosse seu valor, para finalmente terem a posse do cobiçado conhecimento. Nenhum esforço seria medido por eles para pagar o preço devido.
O Senhor dos Mundos Obscuros, então, propôs trocar o grande segredo por um olho dos Ciclopes.
A barganha foi feita e o logro obtido.
Os Ciclopes, assim, com um só olho, e de posse do Supremo Conhecimento, logo retornariam da longa jornada, à região de origem deles.
Os outros habitantes daquela região logo notaram o diferente aspecto dos gigantes. Porém, o que mais se fazia perceber naquelas colossais criaturas não eram os novos e estranhos traços das suas faces, mas sim a terrível mudança do estado de espírito deles. Onde antes estavam a alegria e a felicidade, agora habitam a tristeza e a sisudez.
Os demais moradores da região dos Ciclopes, acostumados com a habitual cortesia daqueles soberbos seres, não entendiam os motivos da drástica mudança de atitude. “O que terá acontecido a eles?” perguntavam atônitos entre si. Até que um dos gigantes, disse como fora a jornada em busca do conhecimento. Contou a respeito do anseio de sua raça pelo saber e pelo Sumo Conhecimento. Falou como eles decidiram partir na demanda de suas altas aspirações e também como ocorreu o fatídico encontro com o Grande Mestre. Narrou como se sucedeu a barganha que lhes fora proposto pelo terrível Mestre dos Mundos Abissais e, finalmente, sobre o tão desejado Saber, o Conhecimento que afinal lhes fora entregue: “o maior dos segredos, entre todos os segredos”, disse de forma tristonha e melancólica o imenso Ciclope.
Foi quando alguém, dentre aqueles que escutavam o gigante, perguntou: “mas porque agora, ó colossal criatura, andais triste como o crepúsculo, porque agora os dias e as noites não têm mais importância para ti e por qual motivo a própria vida já não exerce encanto sobre todos da tua nobre raça, e justamente agora que vós possuís tão precioso saber?”
Ao que respondeu o Ciclope que o Saber que lhes fora conferido, era muito especial mas também deveras cruel; o maior dos segredos, entre todos os segredos; tão terrível quanto o seu Guardião, o Mestre dos Mundos Obscuros. Este era o Único Saber, e este consistia apenas do conhecimento preciso e completo de como e quando ocorreria a própria morte. A nobre raça dos Ciclopes agora estava condenada a nascer já perfeitamente ciente de como e quando se daria a própria morte. Desta feita, nada mais importava para aquelas grandes criaturas da região. Nada mais tinha importância. Por isso a tristeza e a melancolia agora seriam suas únicas e eternas companheiras.
O fardo era demais. E se fosse permitido a eles apenas mais um desejo, todos, sem exceção, escolheriam algo muito simples: ignorância…
[...] certo tempo, escrevi uma pequena historia baseada na lenda dos Ciclopes, onde um deles ansiava por ignorância. Recordei-me hoje pela manhã desta historinha quando me dei [...]
Leitura forte Nobre Ir., obrigado por torná-la disponível. Abraço fraterno.