Feeds:
Posts
Comentários

. Fiat Lux!

á pouco, faltou energia por aqui. A região inteira ficou às escuras. Por óbvio, estava com várias luzes acessas. Também, vários equipamentos ligados. De súbito, tudo escuro, tudo desligado. A filha avisa em sonora voz “faltou luz, pápi!”. Ok, tenho que agir. Contudo, o que fazer? Penso, e rápido. Tenho uma lanterninha tipo “led”. Ela é pequena e potente. Direi melhor: ela é bem pequena e muito potente. Às escuras, procurei-a. Depois de sete ou oito minutos, achei-a. A coisinha se ocultara em meio a papéis. Demorou, todavia, encontrei-a. Finalmente. Reestabelecerei a ordem, pensei de novo. Respirei com alívio. Pode uma reles lanterna ser um bálsamo. Aquela, de fato, era. Afinal, baniria a escuridão daquele momento. O negrume se desvanecerá. Avisei à criança que a luz voltaria agora. “Deixa comigo, filha”. Foi minha despretensiosa fala. Finalmente, acionaria o pequeno lumaréu. Confiante, liguei a lanterna. No exato momento – estranha tautocronia – todas as luzes da casa acenderam. Os equipamentos religaram. De fato, a ordem fora reestabelecida. Olhei à lanterninha, surpreso. Novamente, pensei: sim, bem pequena e muito potente. Que inusual coincidência. Ligar a lanterna e a energia da região voltar! Uma curiosa concomitância de eventos mutuamente não relacionados. Ri. A sincronia me pareceu uma zombaria. Uma espécie de pilhéria vinda dos Deuses. Deuses, nos quais, não acredito. Enfim, ouvi minha filha dizer “boa, papai!”. Então, tudo fez sentido. Ok, deixe estar assim. Grato, Providência. Faça-se luz e noite que segue.

Anúncios

ez por outra acontece comigo. Aprender uma palavra nova. Adoro quando isto ocorre. Casualmente, hoje li “ultracrepidário”. Logo pensei, ultra o que? Por óbvio, procurei-a pelos dicionários. Achei-a e ela é fascinante. Depois, logo conclui algo: caso alguém me perguntasse como eu definiria o Facebook, eu lhe sugeriria um sinônimo. Assim, cunharia o macabro termo “ultracrepidariolândia”.

Explico. Um ultracrepidário, uma ultracrepidária, é a pessoa que fala e emite opiniões a respeito de um assunto desconhecido por ela mesma. O Facebook é cheio de gente assim. Daí minha sugestão. A terra dos ultracrepidários ou ultracrepidariolândia. Simples assim.

Agora, você quer uma imagem para este tipo de pessoa? Que opina demais sem o devido conhecimento do assunto? Bem, aí ficará muito mais fácil e nem precisaremos de dicionário. Ei-la aqui ilustrando estas breves linhas.

ois é, diletas místicas e diletos místicos, preclaras filósofas e preclaros filósofos. Esqueçam tudo que aprenderam sobre o que vem a ser um corpo metafísico.

Ocorre que, por conta de um infausto tropeço meu num link equivocado e canhestro, li há pouco que uma certa moça, a respeito de quem nunca ouvi falar, tem se esforçado para cultivar o que a matéria chama de “corpo metafísico”. Em suma, para lograr este fito, basta à jovem se empenhar numa estoica dieta a base de sucos verdes, ovos e peixe.

Confesso que o esforço da tal subcelebridade provocou um “heim?” em minha mente. Isto porque ela, minta imatura mente, em se tratando de cousas metafísicas, pensava de modo diferente. Sim, falando pelo mínimo, eu achava que deveria me dedicar mais aos aristotélicos, e também dar mais atenção a Plotino e suas três hipóstases, bem como mergulhar fundo nas categorias ontológicas. Talvez assim, afortunadamente, conseguisse me aproximar daquilo que escapa a meus sentidos, algo que supostamente está além do físico, acolá da natureza, depois do conhecido, etc.

Enfim, ledo engano meu. Nada disto agora parece necessário. No lugar de se aventurar naquelas paragens insólitas, a quem quiser conhecer algo digno da alcunha “metafísica”, bastará sorver uma beberagem verdolenga, além de comer omelete e sashimi.

Vida que segue ou, pelo menos, que tenta seguir.

. Coisas do Catete

Catete é um curioso bairro carioca. Aqui se encontra de tudo. Desde a fina flor do bom gosto até certas bizarrices deprimentes, há tudo pela região. Há pela área também muitas almas a respeito das quais eu diria, meio claudicante, que são peculiares.

Dito isso, hoje pela manhã acordei com uma dessas peculiaridades. Um sujeito de voz forte e grave, quase um baixo profundo, cantando aos berros perto de minha janela. Afortunadamente e com as benesses das deusas e dos deuses, logo devo registrar e avisar, ele não cantava para mim. O mundo, este sim, era seu infeliz alvo. A canção – chamá-la-ei de canção, por misericórdia – era bem melancólica. Quanto a letra, incompreensível. Na hora pensei, meio que de forma lacônica: glossolalia a essa hora da manhã? Todavia, não se tratava deste notável fenômeno. Era outra coisa de explicação mais humana. Na verdade, era apenas muito álcool nas ideias. Tratava-se dum ébrio muito ébrio a cantar para o mundo algum tipo de dor. Coitado. Parado em frente a sua fonte, um depósito de bebidas, ele cantava todo seu pesar. Compadeci-me do sujeito. O que teria ele passado para cantar daquele modo? O que a vida lhe teria reservado para tamanha lamentação? Não sei. Só sei que, então, de súbito, ele parou. Felizmente deve ter se cansado e foi dormir, pensei. Ledo engano meu. Ao espiar pela janela, vi que estava se abastecendo novamente naquele depósito de bebida. Minutos depois, a cantoria seria reiniciada. Novamente, a mesma canção, a mesma dor, o mesmo pesar. Apenas a voz parecia surpreendentemente revitalizada. Certamente, algo decorrente de novos e muitos goles de uma braba manguaça qualquer.

Trôpego e cantante, ele seguiu até se escorar num poste. Era um ponto de ônibus. A seu sinal, ali parou o coletivo. Nele o ébrio muito ébrio entrou, ainda cantando a plenos pulmões. Assim, aquele sujeito seguiu viagem, sabe-se lá para onde.

Novamente, compadeci-me. Contudo, desta feita, compadeci-me dos demais passageiros daquele ônibus. Certamente, eles teriam nesta manhã uma longa viagem.

Enfim, coisas do Catete, um bastante curioso bairro carioca…

. A fé e o comércio

lgo me chamou a atenção ontem a noite, enquanto andava pelas ruas do bairro. Várias das incontáveis igrejas do tipo neopentecostal da região estavam fechadas. Isso mesmo: estavam de portas cerradas. Por alguns instantes achei a coisa surpreendente. Ocorre que naquela hora estas casas de Deus costumam estar apinhadas de fieis. Então, vê-las aferrolhadas não me pareceu normal. Todavia, a estranheza logo cedeu vez a lógica. Ah, claro, pensei. Trata-se da 3ª segunda-feira de outubro. Aqui no estado do Rio de Janeiro “comemoramos” o Dia do Comerciário. Assim, boa parte do comércio não funcionou. Enfim, poderíamos esperar algo diferente no segmento do comércio da fé?

Observação necessária: não é esquisitice minha o uso de “estas casas de Deus”. Advém que Ele, no caso de existir, existirá em todos os lugares e, por conseguinte, estará também até mesmo naqueles estabelecimentos.

Segue aqui minha participação, junto com o amigo Carlos Hollanda, no programa Documento Verdade, da RedeTV. O tema era “previsões sobre o fim do mundo”, quando tive a oportunidade de falar um pouco sobre o Apocalipse de São João. O programa foi ao ar no último dia 11 de agosto de 2017.

Abraços a todos.

Carlos Raposo

nvente uma imbecilidade. Diga que é um “app” legal. Dê-lhe um nome bonitinho (“franqueza”, por exemplo). Publique matérias pagas que repetem que o “app” é mesmo legal. Diga a todos que é o “app” mais baixado. Atraia desavisados e desavisadas para fazer parte da joça. Trace-lhes os perfis e preferências. Faça-os perderem muito tempo ali. Faça-os perderem muito tempo dizendo que estão ali. Espere a massa de dados ser gigante. Depois, venda a coisa às gigantes da rede.

Ao longo do imbróglio, quase todos perdem. Perdem até mesmo aqueles que lá não estão. Quase todos perdem, senão aqueles que inventaram ou compraram a imbecilidade.

Ah, sim. Há lá fora um lindo domingo ensolarado de inverno.