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ssim como qualquer brasileiro, estou chocado com a tragédia de ontem. Perplexo e atônito com este desastre que destruiu um dos maiores, senão o maior, patrimônio histórico, antropológico e científico de nosso país. Um verdadeiro holocausto cultural. Registro também: sinto-me demasiado envergonhado, além de estar profundamente desesperançado a respeito do futuro do Brasil. Todavia, não quero falar sobre isso. Simplesmente, não adiantará nada. No lugar, tenho apenas uma sugestão.

Ocorre que já estão falando por aí em reconstrução. Entendam: não se reconstroem almas. Uma vez perdidas, isto é para sempre. Podem-se fazer outras, mas a que foi perdida, foi perdida e ponto final. Esta pode ser relembrada, no máximo. Sua memória nos deixará nostálgicos, mas nos inspirará. Assim, sugiro que nada seja reconstruído. Por certo, precisamos de um novo Museu. Porém, construam-no em outro lugar. Ali, onde agora estão os escombros do insubstituível Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, deixem apenas os próprios escombros. Deixem ali o que restou dele, o que o fogo não foi capaz de consumir. Façam do lugar um memorial, talvez um jazigo. Todos o sabem, brasileiros esquecem… Contudo, creio que deste modo, com um sepulcro, o que aconteceu não será esquecido.

Por último, ainda sugiro, coloquem-lhe uma lápide. Nela poderá ser lido o seguinte epitáfio: aqui jaz a cultura brasileira, vítima do descaso nacional.

(foto: G1)

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Obs.: este post tem como base uma pergunta que me foi enviada em privado.

P) Carlos Raposo, seria possível você nos dizer, na sua opinião, qual o diferencial da OTO para com outras ordens esotéricas, como Maçonaria, Rosacruz e do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento?

articularmemte, considero a questão bem interessante. Agradeço a oportunidade de respondê-la por aqui também.

Porém, antes de respondê-la, faço duas ressalvas. Primeiro, sempre que mencionar “Rosacruz”, valerá muito explicitar qual das rosacruzes você se refere. Isso porque atualmente há centenas de Ordens que carregam em seu nome o mote “rosacruz”. Depois, o mesmo ocorre com a O.T.O. (Ordo Templi Orientis), pois há algumas agremiações que aparecem sob este acróstico. Faço tais ressalvas apenas porque mencionar exatamente o nome do grupo a respeito do qual se refere ajuda em muito na precisão da resposta.

De todo modo, é possível traçar um quadro geral comparativo entre as Ordens citadas, bem como destacar o que considero uma diferença fundamental quanto a O.T.O. – Ordo Templi Orientis.

Tanto a Maçonaria quanto a grande maioria das diversas Ordens Rosacruzes e as O.T.O. são instituições que possuem um caráter iniciático bem definido. Cada uma delas, conforme o que define suas próprias estruturas doutrinárias e iniciáticas, trabalha com sistema de graus ascendentes, onde cada grau visa apresentar determinados mistérios a seus iniciados. Para se passar de grau, os iniciados são submetidos a pequenos testes simbólicos (os ordálios) e a iniciações. No caso da Maçonaria, é praxe que alguns graus sejam ministrados através de comunicação, onde não haverá a cerimônia de iniciação, propriamente dita, mas a leitura dos segredos pertinente a estes graus. Todas estas Ordens trabalham no sentido que os mistérios aprendidos por seus iniciados lhes permitam se aprimorarem como seres humanos. Já no que diz respeito ao Círculo Esotérico Comunhão do Pensamento (o CECP), embora também seja um pressuposto dele a melhoria do ser humano, salvo engano meu, o mesmo não conta com uma estrutura iniciática pautada em graus e iniciações. Basicamente, seu trabalho está baseado em palestras, incentivo a estudos de natureza mística e proporciona a seus associados um local para a prática de orações e exercícios espirituais.

Contudo, e agora respondendo diretamente a questão feita, no que concerne a O.T.O. há um ponto fundamental que a distingue das demais Ordens. Normalmente, os grupos da O.T.O. se autoproclamam como de natureza ao mesmo tempo mística, mágica e iniciática. Tal autodefinição não é errônea, embora seja vaga e francamente incompleta, conquanto que mascara o real propósito da Ordem. Isto porque, diferentemente das demais, a O.T.O. é uma Ordem religiosa cujo principal pressuposto é o estabelecimento da religião thelêmica em todo o mundo. Assim, o membro da O.T.O., obrigatoriamente, deve aceitar para si a Religião Thelêmica, convertendo-se, aos poucos, numa célula religiosa a trabalhar conforme os ditames presentes no tomo fundamental desta religião, a saber, “Liber Al vel Legis”.

Abraços.

Sugestão de leitura:
Afinal: Thelema é ou não é uma religião?

enho ouvido alguns críticos (literários, políticos e sociais) citarem o analfabetismo funcional como algo que atualmente marca boa parte dos brasileiros. Segundo estes críticos, após décadas de uma estratégia pedagógica rotundamente equivocada, o resultado é que grande parte da população de nosso país se tornou simplesmente incapaz de entender um texto, por mais simples que seja.

Dito isto, num grupo que participo, alguém anunciou algo à venda, falando basicamente o seguinte: “vendo rack, R$ 150,00; não entrego, favor retirar no bairro São Cristóvão”. Pois bem, imediatamente, vários interessados começaram a falar. A grande maioria deles fazia perguntas como:

– Quanto custa?
– Onde vc mora?
– Vc entrega?

Enfim, este é somente um pequeno exemplo. Contudo, sei que afirmá-lo é triste, mas aqueles críticos têm razão.

proveitei que estava caminhando bem cedo e fui à farmácia. Precisava de um spray tipo “analgésico milagroso”. Explico: por conta de uma recente mudança, carreguei bastantes caixas. Caixas pesadas, de livros. Muito pesadas mesmo. Desde então, literalmente, estou com dor de cotovelo. Dor no cotovelo, melhor dizendo.

Não tenho paciência para com farmácias. Ou seja, entrei na primeira que vi. Dirigi-me ao balcão e fui atendido muito cordialmente pela senhora balconista. Era de fato uma senhora, bem senhora. Expliquei-lhe minha necessidade. Aquela senhora riu. Um riso de profunda comiseração, quase materno. Achei-a bem simpática e receptiva. Normalmente, sou meio seco com atendentes. Principalmente com aqueles falsamente simpáticos. Destes que sempre tentam lhe empurrar algo. Contudo, aquela senhora, ao mesmo tempo jovial e bastante anosa, havia me cativado. Senti-me incentivado a lhe falar um pouco mais. Ela me parece uma vendedora muito eficiente, cordial e sincera, na hora pensei. Assim, falei-lhe rapidamente da mudança. Das caixas pesadas. De meu cuidado com os livros, etc. Ela continuava rindo. Aquele mesmo sorriso de compaixão e afeto. Depois, muito confiantemente, pedi-lhe o tal spray miraculoso. Antes dela me responder, ainda tive tempo de soltar o famoso bordão “se tiver genérico, melhor”. Ela continuava rindo. Mesmo quando me informou que infelizmente não tinha aquele prodigioso spray. Frustrei-me. De súbito, até me pareceu que meu cotovelo voltara a doer. Ela viu minha frustação. Riu um pouco mais. Minha mão estava sobre o balcão. Logo, ela pousou sua mão sobre meu pulso. Apertou-o, suavemente. Novamente, algo quase maternal, como que a me confortar. Em seguida, na maior das calmas, disse-me:

– Senhor, isso aqui é uma Pet Shop. A farmácia fica bem aqui ao lado.

Dois segundos de hesitação minha e comecei a rir. Ri, meio que discretamente, é verdade, mas ri. A senhora riu também. Desculpei-me e saí da loja. Confesso, foi alentador ainda escutá-la falar que eu não me preocupasse, pois aquilo sempre acontecia ali. Ok.

Entrei na farmácia. Aquela que fica ao lado da Pet  Shop. Minha honestidade me obriga a dizer: para me certificar de estar no lugar certo, li três vezes a palavra “farmácia” antes de nela me adentrar. Pedi o remédio. Peguei e paguei a coisa. Voltei à casa.

O cotovelo passa bem.

ntrei no elevador e por mero lapso não lhe apertei o térreo imediatamente. A porta se fecha e o troço resolve subir. Raios, pensei, até que ele chegou ao 12º andar. Alguém abre a porta e entra. Bom dia, a pessoa me diz. Respondo, bom dia. Começamos a descer. Então, a criatura ali desanda a me falar. Resumidamente, foi algo como:

– Pois é. Veja só esta greve. Dos caminhões, sabe? Um absurdo. Mas eles têm direito. Fazer o que? As pessoas estão meio doidas, você não acha? São as redes sociais. É cada coisa. E as fake News? A culpa é dos militares. Deviam agir. Mas acho melhor não. No meu tempo a coisa ficou preta da silva. A gente corria e apanhava dos milicos. Mas a época nem se compara com a de hoje. Hoje é muito pior. Mas naquela época também era ruim. Mas era melhor. Acho que eles deviam agir, ou não? Nem sei mais. Sei que depois veio o Sarney e a coisa ficou ainda pior. Votei no Lula, mas ele perdeu. Piorou tudo. Votei no FHC e ele ganhou. Legal. Depois votei no Lula de novo e ele ganhou. As coisas melhoraram, mas a que custo né? Agora todo mundo sabe. Cretino. Aí veio a anta. Nem quero falar nada. Nem me lembro se votei nela. Paulo Freire tem razão. Como é mesmo que ele falava? Ah, deixa prá lá. Tenho formação em pedagogia. E agora tem a copa. Será que o Brasil vencerá? Ih, tenho que procurar um posto. Estou sem gasolina. Será que encontro um? Um absurdo esta greve. A dos caminhões. Veja só a que ponto chegamos. As redes sociais são um problema. As fake news…

Chegamos ao térreo. Doze longos andares, mais o play e as garagens. Viagem quase interminável. Novamente, porta do elevador aberta e um mútuo bom dia. Segui com minha vida. Aquela criatura seguiu com a dela. Benedicat te Omnipotens!

Concluindo, concordo: as pessoas estão mesmo meio doidas.

. Fiat Lux!

á pouco, faltou energia por aqui. A região inteira ficou às escuras. Por óbvio, estava com várias luzes acessas. Também, vários equipamentos ligados. De súbito, tudo escuro, tudo desligado. A filha avisa em sonora voz “faltou luz, pápi!”. Ok, tenho que agir. Contudo, o que fazer? Penso, e rápido. Tenho uma lanterninha tipo “led”. Ela é pequena e potente. Direi melhor: ela é bem pequena e muito potente. Às escuras, procurei-a. Depois de sete ou oito minutos, achei-a. A coisinha se ocultara em meio a papéis. Demorou, todavia, encontrei-a. Finalmente. Reestabelecerei a ordem, pensei de novo. Respirei com alívio. Pode uma reles lanterna ser um bálsamo. Aquela, de fato, era. Afinal, baniria a escuridão daquele momento. O negrume se desvanecerá. Avisei à criança que a luz voltaria agora. “Deixa comigo, filha”. Foi minha despretensiosa fala. Finalmente, acionaria o pequeno lumaréu. Confiante, liguei a lanterna. No exato momento – estranha tautocronia – todas as luzes da casa acenderam. Os equipamentos religaram. De fato, a ordem fora reestabelecida. Olhei à lanterninha, surpreso. Novamente, pensei: sim, bem pequena e muito potente. Que inusual coincidência. Ligar a lanterna e a energia da região voltar! Uma curiosa concomitância de eventos mutuamente não relacionados. Ri. A sincronia me pareceu uma zombaria. Uma espécie de pilhéria vinda dos Deuses. Deuses, nos quais, não acredito. Enfim, ouvi minha filha dizer “boa, papai!”. Então, tudo fez sentido. Ok, deixe estar assim. Grato, Providência. Faça-se luz e noite que segue.

ez por outra acontece comigo. Aprender uma palavra nova. Adoro quando isto ocorre. Casualmente, hoje li “ultracrepidário”. Logo pensei, ultra o que? Por óbvio, procurei-a pelos dicionários. Achei-a e ela é fascinante. Depois, logo conclui algo: caso alguém me perguntasse como eu definiria o Facebook, eu lhe sugeriria um sinônimo. Assim, cunharia o macabro termo “ultracrepidariolândia”.

Explico. Um ultracrepidário, uma ultracrepidária, é a pessoa que fala e emite opiniões a respeito de um assunto desconhecido por ela mesma. O Facebook é cheio de gente assim. Daí minha sugestão. A terra dos ultracrepidários ou ultracrepidariolândia. Simples assim.

Agora, você quer uma imagem para este tipo de pessoa? Que opina demais sem o devido conhecimento do assunto? Bem, aí ficará muito mais fácil e nem precisaremos de dicionário. Ei-la aqui ilustrando estas breves linhas.