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Segue aqui minha participação, junto com o amigo Carlos Hollanda, no programa Documento Verdade, da RedeTV. O tema era “previsões sobre o fim do mundo”, quando tive a oportunidade de falar um pouco sobre o Apocalipse de São João. O programa foi ao ar no último dia 11 de agosto de 2017.

Abraços a todos.

Carlos Raposo

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nvente uma imbecilidade. Diga que é um “app” legal. Dê-lhe um nome bonitinho (“franqueza”, por exemplo). Publique matérias pagas que repetem que o “app” é mesmo legal. Diga a todos que é o “app” mais baixado. Atraia desavisados e desavisadas para fazer parte da joça. Trace-lhes os perfis e preferências. Faça-os perderem muito tempo ali. Faça-os perderem muito tempo dizendo que estão ali. Espere a massa de dados ser gigante. Depois, venda a coisa às gigantes da rede.

Ao longo do imbróglio, quase todos perdem. Perdem até mesmo aqueles que lá não estão. Quase todos perdem, senão aqueles que inventaram ou compraram a imbecilidade.

Ah, sim. Há lá fora um lindo domingo ensolarado de inverno.

s agências dos Correios foram temporariamente divididas em duas: numa das metades, todos os corriqueiros usuários da Estatal; na outra, brasileiros agraciados com um kit gratuito de uma espécie de antena digital. Parece que boa parte, senão todas, das agências próprias dos Correios estão assim. Na agência que costumo ir, o resultado desta divisão é desastroso para os usuários. Nela, apesar de haver sete caixas, normalmente apenas três ou quatro ficam abertos. Agora, dois estão reservados para atendimento dos agraciados, enquanto um ou dois atendem o público de modo geral. Sim, este mesmo público que paga caro pelo serviço postal brasileiro agora também tem que lidar com isto.

Enfim, este benefício dado pelo governo brasileiro consta do seguinte, resumidamente: como o sinal analógico da TV aberta será desligado, todos os brasileiros inscritos no “Cadastro Único” para Programas Sociais, sobremodo os beneficiários do Bolsa Família, têm direto ao kit de TV digital. Assim, os Correios passaram a ser o principal distribuidor das antenas.

Não irei me ater aqui ao mérito deste programa. Contudo, faço questão de registrar o que casualmente escutei de um de seus beneficiários. Ocorre que depois de meia hora aguardando ser atendido, sentaram-se a meu lado um jovem casal, cujo diálogo foi mais ou menos este:

– Ê, fulano, já tão dando as antenas.
– Legal, vamos se inscrever. Vamos pegar duas, uma pra vc e outra pra mim.
– Mas, fulano, nós não temos duas TVs!
– Ô mulher, se liga. A gente tem gatoNET e não precisa de mané antena nenhuma.. a gente vai é vender as parada! (ie., as antenas)
– Ah…

Depois, bem, tocou minha senha e fui ser atendido. Vida que segue.

Fonte da imagem:
http://calendariobolsafamilia2016.org/seja-digital-bolsa-familia/

stava com fome. Já o disse em algum outro lugar: dos Pecados Capitais, a Gula é minha predileta. Assim, na rua, atraiu-me uma barraquinha. Era daquelas que vendem X-alguma-coisa. Uns baitas sanduíches. Olhei para os lados, ninguém conhecido à vista. Era o estímulo que precisava. Logo, aproximei-me da tal barraca. Olhei o variado cardápio. A fome aumentou. Chamou-me a atenção a imagem do X-Tudo. Algo com “tudo” deve me bastar, pensei. Não! Aquele outro parece mais apetitoso: um X-Tudão. Movido pelo já citado Pecado, dirigi-me ao dono do estabelecimento.

– Amigo, como é este X-Tudo? O que tem nele?
– Ô, bro! O X-Tudo tem tudo, né?
– Sim, e o X-Tudão?
– Ah, o X-Tudão é especial. Ele tem tudão!
– Ok. Tchau.

Saí dali meio irritado.Ora essas, “um X-Tudão tem tudão”. Entrei num restaurante próximo e pedi um prato executivo.

Saciada a fome, confesso, agora acho graça do episódio. Vou considerá-lo uma espécie de chistosa penalidade imposta a minha Gula. De todo modo, aquele ambulante perdeu este cliente, que ele nunca teve.

X-Tudão!

á pouco, deixei uma bermuda lá na costureira. Havia rasgado, mas como é quase nova, nada como um pequeno reparo. Preferi isto no lugar de comprar outra. Todos hão de concordar, em tempos de crise, qualquer economia nos cai muito bem. Enfim…

Lá no ateliê, mostrei a peça para a costureira. Ela a olhou meticulosamente. Revirou-a toda. Deve ser competente, pensei. Depois, pegou um papel e começou a anotar algumas informações. Meu nome, telefone, tipo de serviço, quando estará pronto, quanto custará, etc. No tipo de roupa, por evidente, escreveu “bermuda”. Então, mistério dos mistérios, ela me fita sisudamente e me pergunta:

– Senhor, qual é a cor de sua bermuda?
– Hã?
– A cor, ué! Qual a cor de sua roupa?

Hesitei um pouco sem entender direito a coisa. Ora bolas. Ela não estava vendo a bermuda? Por que então não escrevia logo a cor? Confesso, complicou-me ainda o fato que tenho uma certa dificuldade com tons intermediários de cores. Por exemplo, defino bem o amarelo, o verde e o azul. Contudo, o “entre cores”… ô dificuldade… mas isto é outra estória. O diálogo seguiu:

– Senhora, não sei bem que cor é esta. Não é preta, mas também está longe de ser cinza.
– E então?
– Parece até um verde bem escurão. Você pode me dizer que cor é essa?
– Não.
– Não?
– Não.
– Mas, por que não?
– Senhor, é o cliente que TEM que declarar a cor da própria roupa…

Nova confissão: quase caí na gargalhada. Porém, segurei o meu maxilar (literalmente) e me contive. Como eu não havia pensado nisto antes? A coisa é óbvia, indubitável. Claro! O cliente ou a cliente! Ninguém senão estes é que têm que declarar a cor da própria roupa! Sério!

Respirei fundo e olhei para minha bermuda. Pensei em dizer “carmesim” para costureira, mas achei melhor não. Vivemos tempos estranhamente conturbados. Qualquer piada, por mais inocente que seja, pode ser tomada como ofensa. Sejamos então adequados à situação. Politicamente corretos e respeitosos. Assim, logo depois, bem circunspecto, finalmente respondi a aquela profissional, indiscutivelmente muito competente:

– Humm… Cinza. Minha bermuda é da cor cinza. Melhor, escreve aí: cinza escuro.
– Perfeito, senhor. Tome aqui a notinha. Obrigado.
– De nada.

Saí do ateliê. Ao longo do caminho, meditei um pouco sobre a seriedade desta questão. Da cor de minha bermuda e da estranheza deste mundão em que vivemos. De repente, uma dúvida brotou em minha mente. “Cinza escuro”? Que tipo de resposta é essa? Certamente há algum termo melhor – muito melhor – para definir esta cor. Qual será? Pensei um pouco a respeito, porém, já o disse, possuo certa dificuldade com cores intermediárias. Não encontrei o tal termo.

Já em casa, entretanto, obsessivo que sou quando desconheço certos assuntos, busquei me ilustrar. Procurei online uma paleta de cores e achei o que procurava. Destarte, da próxima vez que me perguntarem a cor daquela minha bermuda, empinarei discretamente o nariz e direi:

– Grafite.

(obs.: texto originalmente escrito em 28/02/2016)

letra_foi agora, há pouco, nesta última 3ª-feira gorda. Concordei em levar Alice a um baile de Carnaval infantil. Estávamos longe da folia, é certo. Contudo, pareceu-me uma boa ideia levá-la ao festejo. Conforme dita o bom discurso, comportado e correto, sei que a vida social é importante às crianças. Então – por que não? -, um bailinho é uma das formas pelas quais o mundo vai sendo apresentado àos párvulos.

Assim, com a criança devidamente paramentada, partimos ao baile. Ela estava felicíssima com sua vestimenta de bruxinha. Chegamos ao local e compramos os ingressos. O clube que promovia o evento era bom. O baile estava animado. Muitos ali se divertiam de verdade. Uma coisa honesta, de fato. Em meio ao pessoal, desfilavam alguns personagens do rico mundo das crianças. Ao chegarmos, o som de um pagodão qualquer inundava o ar. Um pouco depois, algumas músicas infantis seriam tocadas. Vez por outra apareceria um samba-enredo daqueles bem tradicionais. Troço legal. Noutras vezes, novamente outro pagode encontraria seu espaço naquele ambiente. Paciência…

Todavia, o ponto que destaco aqui é: assim que chegamos, repentinamente Alice pareceu estranhamente constrangida. Parou de falar, franziu a testinha e desse modo ficou. Não sei exatamente por que. Não sei se foi o tal pagodão, se foram os personagens ou o calor que fazia. Só sei que de repente ela “descurtiu” a coisa. Tentamos distraí-la mas nada mudava. Por fim, após brevíssimos cinco minutos no local, Alice se vira para a mãe e diz, resoluta:

– Mamãe, me tira daqui.

Insistimos mais um pouco. Não adiantou. Cerca de trinta minutos depois, fomos embora.

Ficamos frustrados, certamente. Afinal, não conseguimos fazer com que nossa filha se divertisse. Sim, havia também os ingressos. Um gasto a mais e sem o devido retorno. Enfim, fomos mesmo embora. Logo depois de sairmos do baile, o bom humor de Alice havia voltado. Fomos a uma feirinha, comemos crepe e voltamos à casa.

Por certo, não esqueceremos aquela 3ª-feira gorda. Contudo, confissão óbvia, não disfarço a pontinha de orgulho ao saber que minha filha detestou aquele evento carnavalesco.

serpentinas

. Um Segredo

scribatus_letra_Alice tem um boneco Stormtrooper que ela adora. É seu companheiro em várias brincadeiras. Nestas, sempre há vários tiros dados por ele. Coisa óbvia em se tratando de Stormtroopers. Pois bem, estava eu numa dessas brincadeiras, enquanto os tais “tiros” eram dados a toda hora. A ação era frenética. Havia muita tensão nela. De repente, o boneco apontou a arma para mim. Então Alice tratou de me alertar:

– Cuidado, papai, o stromtrûpir que atirar em você!!!
– Socorro! Disse eu. Alguém me ajude!

Logo depois, ao me ver “sinceramente” preocupado e com medo, ela se comoveu com a cena. Olhou para os lados. Chamou-me mais para perto dela, indo direto a meu ouvido. Assim, confidenciou-me, bem baixinho, um grande segredo, dos mais sérios, e que somente ela sabia:

– Não se preocupe, papai, ele não atira muito bem, tá bom?

Agradeci a confidência e a brincadeira seguiu, frenética como sempre.

Por último, uma informação para tranquilizar os que por aqui pousaram seus os olhos: estou bem e não fui atingido pelo Stormtrooper. E que a força esteja com todos.

Bom dia!

Ele não atira muito bem...