Feeds:
Posts
Comentários

ui ao mercado comprar um peixinho para o almoço. Havia várias opções. Ali estavam filés de salmão, de merluza, de congro branco, de tilápia, de linguado, além de sardinhas inteiras e alguns outros peixes. Por conta de uma dessas promoções relâmpago, chamou-me a atenção a tal da Polaca do Alasca. Confesso, nunca tinha ouvido falar a respeito. Comprei um quilo dela e voltei à casa.

No caminho de volta me deu um estalo e comecei a achar engraçado o nome daquele peixe: Polaca do Alasca. Explico: se é polaca, por que do Alasca? Por exemplo, a palavra argentino pode significar alguém que nasceu na Argentina, mas também significa algo relativo à prata. Assim, se eu falasse sobre um peixe Argentino do Alasca não haveria problema algum. Seria um peixe da cor prata, pescado no Alasca. Contudo, polaca ou polaco possui apenas um significado: de origem polonesa. Ou seja, indica alguém que nasceu na Polônia ou algo que foi produzido neste país. Assim, não há sentido algum dizer Polaca do Alasca. Seria como dizer Polonesa ou Polonês do Alasca.

Fiquei pensando nesta bobagem. Já em casa, enquanto o peixe era preparado, resolvi dar uma googleada para descobrir o porquê de Polaca do Alasca. A coisa mais simples que descobri foi o indiscutível nome científico deste animal: Theragra chalcogramma.

Digo mais simples pelo seguinte. Embora seja chamado de Polaca do Alasca, descobri que na verdade o peixe é pescado e comercializado pela Rússia e não pelo Alasca. Isto se deve ao fato daquele peixe ser encontrado em abundância nos arredores do Estreito de Behring. Para quem não ligou o nome à pessoa, trata-se de um Estreito que liga os oceanos Pacífico e Ártico, situado entre a Rússia e os Estados Unidos da América. Numa ponta do Estreito está a Rússia e, na outra, fica o Alasca, um dos Estados dos EUA. Por questões impostas pela natureza, quiseram os fartos cardumes da Polaca do Alasca ficar bem mais para o lado da Rússia, o que a tornou um dos principais pescados deste país.

Contudo, para aumentar o caráter internacional deste peixe, eis que leio nos pacotes que eu comprei, a informação de que aquele produto vem da China. Sim, da China. Assim, temos um peixe, a tal Polaca do Alasca, que nem é da Polônia, nem do Alasca (ou dos EUA), mas que foi pescado pela Rússia e comercializado pela China para o Brasil. Pois é, ler sobre este peixe me fez dar um verdadeiro tour por parte do mundo.

De quebra, chegou-me também a informação de que esta balburdia nominativa tem incomodado bastante o Alasca, visto estarem usando indevidamente o nome deste Estado estadunidense. Assim, o Alasca já recorreu a um órgão internacional da pesca, para que o nome do peixe passe a ser apenas “Polaca”. Em tempo, a Polônia ainda não se pronunciou a respeito.

Enfim, dito pelo não dito, tenho aqui a frente, agora já prontas à milanesa, minhas Polacas do Alasca. Sinceramente, não sei mais se elas são mesmo da Polônia, do Alasca, da Rússia, da China ou de qualquer outro lugar. Ainda mais, o que poderia ser um horror, agora nem mesmo sei se elas são Polacas do Alasca. É que no monte das informações colhidas por mim está uma denúncia: estão vendendo Merluzas como se fossem Polacas do Alasca…

Bom, provei o peixe. Está ótimo. Recomendo acrescentar molho de queijo parmesão italiano ou molho tártaro, que é mongol. Na falta dos molhos, use azeite virgem de oliva, português. Cairá muito bem. Caso tenha um vinho francês branco bem gelado, será um almoço perfeitamente excelente, embora exageradamente globalizado.

gotica_o_negrantem, meramente por cansaço, deixei de lado o inútil bate-boca lá de nosso Senado e passei os olhos em algumas notícias aparentemente menos relevantes. Chamou-me a atenção duas matérias, as quais considero, infelizmente, emblemáticas.

A primeira versava sobre a questão de se “misturar” bebidas alcoólicas com as vacinas contra o Covid-19. Isto porque há um mito sendo espalhado por aí sobre os efeitos nefastos supostamente causados naqueles que tomam a vacina durante o dia e bebem à noite. A dita matéria se esforçava para explicar que não existe qualquer contraindicação em relação a isto. Ou seja, você pode tomar tranquilamente sua vacina e, sempre com moderação, beber depois de seu suado dia de expediente. No texto, indo além, o que mais me chamou a atenção foi a patente preocupação dos médicos em esclarecer a coisa de uma vez por todas. Sim, eles estão muito preocupados com esta situação, pois foi constatado que muitos brasileiros, temendo o efeito da mistura, deixam de tomar as vacinas para poderem beber tranquilamente. Pois é, você leu corretamente: entre a vacina e a cachaça, a preferência nacional é pela bebida.

Quanto à outra matéria, tratava-se de uma reportagem sobre um bizarro caso acontecido em Santo Antônio do Leste, município do Mato Grosso. Naquela cidade, o funcionário público que levava as vacinas para serem entregues ao município havia simplesmente sumido. A polícia local começou a procurá-lo, temendo que ele tivesse sido vítima de algum tipo de assalto ou algo parecido. Enfim, ela acabou por achar o sujeito completamente embriagado, saindo de um puteiro. Novamente, você leu corretamente: o funcionário que levava as vacinas, no lugar de entregá-las logo, resolver dar uma paradinha num prostíbulo, o que evidentemente atrasou tanto a chegada delas à cidade quanto a subsequente vacinação das pessoas de lá. Pois é, entre entregar as vacinas e um sexo barato com bebedeira, o funcionário não teve dúvidas sobre o que era mais importante fazer.

Em suma, este dois pequenos casos nos falam o seguinte: não adianta, os brasileiros já têm suas prioridades e já fizeram suas escolhas.

Muito possivelmente, este país nunca dará certo.

cansado

ma ótima cervejaria brasileira lançou uma propaganda onde é citada a Lei da Pureza da Cerveja, a Reinheitsgebot. Para quem não sabe, esta lei data de 1516 e foi instituída pelo duque Guilherme IV da Baviera, decretando que a cerveja deveria ser produzida apenas com água, malte e lúpulo. Simples, não? Pois é, até aqui, tudo bem.

Na propaganda, contudo, no lugar de citarem “A Lei da Pureza”, “A Lei da Pureza da Cerveja”, “A Lei Alemã da Pureza da Cerveja”, “A Lei da Pureza da Cerveja Alemã”, ou até “Reinheitsgebot”, ou mesmo mencionar todos estes títulos, quis o publicitário frisar a historicamente infeliz expressão “Lei da Pureza Alemã”. Resultado: um bafafá daqueles. Não faltaram vozes a se levantarem em protesto, sobremodo entre aqueles de desconhecem completamente o mundo das cervejas, das cervejarias, dos cervejeiros e das cerverjeiras, e que jamais ouviram falar na tal Lei da Pureza. E como também não faltaram vozes a defender a tal expressão, pronto, em um segundo o histérico palco formado pelos que são pró e pelos que são contra foi armado e o bate-boca foi geral.

Pois é, agora, muitos estão brigando e falando a respeito da tal propaganda, bem como a respeito ou do mau gosto ou do bom gosto da tal publicidade. Sim, isso mesmo. Muita gente está falando a respeito da coisa.

Caso o publicitário tivesse usado as outras expressões aqui sugeridas, nenhuma querela aconteceria e estaríamos todos em paz, pelo menos quanto a este assunto. Porém, não, ele preferiu usar a maculada expressão “Lei da Pureza Alemã”, atiçando os ânimos de muita gente. Deu no que deu. Sim, repito: muita gente está falando a respeito da coisa.

Em suma e finalizando, dentro dos questionáveis critérios atuais que regem às propagandas e à publicidade, aquele publicitário acertou em cheio. Ponto para ele.

eu interesse por Aleister Crowley remonta aos anos de 1980. Na ocasião tive a oportunidade de me adentrar profundamente no tema, bem como na Lei de Thelema, religião essa fundada por este mago inglês. Hoje, não mais faço parte desta religião e nem das Ordens que a representam, mas me mantenho informado, em nível de pesquisa, sobre o assunto. Assim, fui novamente convidado pelo Ir.’. Marcelo Del Debbio para participar mais uma vez do Projeto Mayhem, uma série de entrevista onde muita gente boa do mundo ocultista do Brasil, para falar um pouco sobre a vida e a obra de Aleister Crowley (clique aqui para ver mina entrevista anterior dada ao Projeto Mayhem, sobre a Ordo Templi Orientis).

O Resultado segue aí, para você. Lembrando, caso goste do papo, deixe registrado no Youtube o seu like. Gratíssimo!