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Archive for the ‘Esoterismo’ Category

Segue aqui minha participação, junto com o amigo Carlos Hollanda, no programa Documento Verdade, da RedeTV. O tema era “previsões sobre o fim do mundo”, quando tive a oportunidade de falar um pouco sobre o Apocalipse de São João. O programa foi ao ar no último dia 11 de agosto de 2017.

Abraços a todos.

Carlos Raposo

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scribatus_letra_Em seu livro “A Pilgrim’s Path: Freemasonry and the Religious Right” (M. Evans & Company, 1993), páginas 117 e 118, o escritor John J. Robinson analisa a imagem “The Wayfarer”, do artista holandês Hieronymus Bosch (ie. Jeroen van Aeken – c. 1450-1516).

Na análise feita, Robinson ali identifica uma série de símbolos os quais, em seu entender, são maçônicos. Entre tantos, por exemplo, é chamada a atenção para a perna esquerda desnuda, o prumo afixado no chapéu, bem como o estranho posicionamento do que parece ser um esquadro, localizado acima do portão de madeira. Aquele autor também chama a atenção para a direção tomada pelo Viajante: ele se dirige para o Leste. A partir da identificação destes símbolos, Robinson aventa a possibilidade de Bosch ter sido iniciado na Maçonaria.

Jheronimus_Bosch_112

Há algo que boa parte daqueles que se interessam por Maçonaria precisa entender. O fato de haver imagens hoje interpretadas como maçônicas espalhadas por aí não quer dizer que os autores destas imagens sejam o tenham sido maçons. No caso específico da análise feita por Robinson, vale lembrar que Bosch viveu bem antes da formalização da Maçonaria dita especulativa, formalização esta ocorrida em 1717.

Por óbvio, isto não quer dizer que os símbolos porventura assimilados pela Maçonaria passaram a existir apenas depois desta data. Na verdade, eles são quase tão antigos quanto antigo é o ser humano. Falando sem muito rigor, há muito que eles habitam o imaginário popular e não pertencem a qualquer grupo ou instituição.

Sendo bem objetivo, Bosch não era maçom e nem a belíssima imagem “The Wayfarer” não tem, diretamente, qualquer conotação maçônica. Bem mais plausível é afirmar que Bosch, brilhante artista que era, conhecia muito bem o imaginário humano e dele livremente extraiu os diversos elementos que vieram a compor sua inigalável obra.
——–

Imagem: “The Wayfarer” (fonte, Wikipedia)

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(texto do Ir. Carlos Raposo, M.I. da Loja PO1371)

gotica_a_negramagna Cerimônia era de Instalação. Uma longa Cerimônia. Os trabalhos decorriam de modo apropriado. Eles iam a pleno Esquadro, de forma Justa e Perfeita. Contudo, quando da Palavra a Bem da Ordem, aquele ilustre convidado cismou de pedir a palavra. Até aí tudo bem. Os convidados são convidados e embora não sejam exatamente convidados a falarem, por boa educação e cortesia, ninguém lhes cortaria a palavra. Entre o que foi dito por ele, ouvimos…

“…desejo sucesso em sua venerança…”
“… que sua venerança seja repleta de êxito…”
“… sua venerança será marcante para esta Oficina…”

paramentos_veneravel_mestreO ilustre Ir. assim foi discorrendo e por oito vezes repetiu o extraordinário vocábulo “venerança”. Bem depois e afinal, chegou a vez de nosso Venerável Mestre falar. Com bastante calma e ponderação, ele foi breve. Discorreu um pouco sobre o Ofício de Venerável e encerrou, dizendo-nos:

“Agradeço a todos os votos de que meu Veneralato seja coroado com sucesso”

De fato, com isto nosso querido V.M., bem discretamente, mostrou conhecer seu pátrio idioma. Já quanto ao outro querido e ilustre Ir., o convidado falador, bem, ele apenas repetiu o que escutou, não atentando muito bem se o que falava era ou não correto. Um belo caso de propagação daquilo que costumeiramente é citado pelos maçons como “usos e costumes”. Neste caso, dito de modo mais adequado, a rotineira propagação de maus usos e maus costumes.

Esclarecendo, ocorre ser o idioma de Camões magnífico. É tão magnífico que reservou uma palavra específica para designar o “Ofício de Venerável na Maçonaria”. Esta palavra é “Veneralato”. De uma vez por todas, a palavra “venerança” simplesmente não existe no Brasil. Caso alguém tenha dúvidas, basta consultar o VOLP.

esquadroO que é o VOLP? O VOLP é o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, preparado e lançado periodicamente pela ABL – Academia Brasileira de Letras. Trata-se de um catálogo oficial (e não um dicionário) que contém todas as palavras da língua falada no Brasil. O VOLP é um catálogo com mais de 380000 (trezentos e oitenta mil) palavras. Todos podem consultá-lo on-line, no endereço:

http://www.academia.org.br/ (depois, clique em VOLP)

Se digitarem “venerança”, a desalentada mensagem apresentada será: Nenhuma palavra encontrada na pesquisa! Por sua vez, isto não ocorre quando o termo correto, “veneralato”, é digitado. Dúvidas adicionais, basta consultar um bom dicionário.

Deixo aqui a todos o meu respeitoso TFA.

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Pequena nota sobre o V.I.T.R.I.O.L. e o Óleo de Luz
Conforme ministra o Dogma central thelêmico do “muitíssimo” secreto
Grau IX da
Ordo Templi Orientis – O.T.O.

por Carlos Raposo

scribatus_letra_Conforme a doutrina pregada por Crowley e seus seguidores, a Grande Arte está relacionada ao mote V.I.T.R.I.O.L.

No Trunfo XIV do Tatot de Thoth, por exemplo, arcano que representa a imagem da Arte, está escrito: “Visita Interiora Terrae Rectificando Invenies Occultum Lapidem”, ou seja: “Visite o Interior da Terra e Retifique Integralmente a Oculta Lápide”. Há toda uma explanação alquímica bastante complexa para explicar o termo “Pedra (lápide) Oculta” mas, grosso modo, encontramos aqui, mais uma vez, a velha máxima de Delphos do “conhece a si mesmo”. Esta é uma explicação razoável e aceitável, embora seja um tanto que rasteira, à compreensão do Mistério do V.I.T.R.I.O.L.

arcanoXIVNum sentido bem mais adequado ao Conhecimento Thelêmico porém, e de acordo com as Instruções de Crowley para a O.T.O., há outras explanações mais interessantes e profundas sobre esta Sigla, a qual está relacionada com o Arcano Central da Ordo Templi Orientis (O.T.O.), assim como apresentado em seu IXº. Neste caso, V.I.T.R.I.O.L. possui outro significado de bastante valor, qual seja “Vir Introit Tumulum Regis, Invenit Oleum Lucis” ou “O Homem que entra no túmulo do Rei descobre o Óleo de Luz”.

Explicando de modo rápido e claro: O “Rei” é uma alegoria Solar e Fálica. O “Tumulo do Rei” é a Escuridão ou o Mundo de Duat, onde o Sol “morre”. Ou seja, tudo não passa de um eufemismo para o Pênis penetranto na Vagina. O Óleo de Luz é a mistura das Secreções Sexuais (S.’.S.’. – que também pode ser entendido como “Sanguis et Semem” ou até mesmo como o ludibrium “Silver Star”).

Outra dica: Os termos “Oleum Lucis”, “Oil of Light” ou “Óleo de Luz”, fazem as iniciais O.L. Ou seja: O =Ayin=70, L=Lamed=30. Total 70+30=100. Daí um dos possíveis motivos de Crowley ter batizado a sua Instrução “Liber Agape” ou “O Sabbath dos Adeptos”, como “Liber C”. Outra razão é que as inciais de Phallus e Kteis (Penis e Vagina) também somam P=80 + K=20 = 100.

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aleister_tradicionalPs.: O presente texto foi elaborado por mim em priscas eras (1995), quando de minha infância iniciática. Embora atendendo a pedidos eu o tenha incluído aqui, cabe-me enfaticamente ressaltar o seguinte: NÃO faço parte de qualquer agremiação esotérica cujo dorso sustenta a doutrina místico religiosa cunhada pela afamada figuraça de Aleister Crowley (1875-1947). Em tempo, as referências bibliográficas aqui cabíveis foram propositalemente não mencionadas por mim. Elas serão devidamente publicadas em breve.

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Nota: Essa foi uma questão bem interessante que me fizeram no ASK.FM. Aproveito o espaço para repeti-la aqui também.

scribatus_letra_Caso você faça uma leitura simples das obras de Kardec, a tendência é concluir que sim. Contudo, julgá-lo racista é, numa análise mais profunda, resultado de mera abordagem anacrônica.

Resumidamente, por anacronismo entenda o seguinte: avaliar pessoas e eventos, fatos e coisas, tendo como medida valores de época distinta e, às vezes, bem posterior daquela onde estavam as pessoas julgadas, onde ocorreram os eventos, os fatos e as coisas. Exemplo: se alguém lhe disser que na primeira corrida de automóveis realizada, a velocidade máxima dos carros chegou a 30 km/h, imediatamente você poderá pensar “mas que carros ridículos de lentos”. Evidentemente, por saber que atualmente há carros que correm em velocidades superiores a 300 km/h, você achará qualquer um que atinja 30 km/h algo patético. Contudo, caso considere os valores da época em aqueles carros foram construídos, será facilmente observado que, naquele tempo, todos eles eram considerados extremamente velozes.

Dito isso, vale afirmar que Allan Kardec (1804-1869) estava – como não poderia ser diferente – completamente contextualizado na época em que viveu. Todo cientificismo e positivismo oitocentista lhe pesavam quando ele formulou sua doutrina espírita. Nesse ínterim, considerar a “raça A” ou “raça B” inferior era perfeitamente normal, sendo o critério escolhido com distinção a cor da pele. Dito de outra forma, Kardec simplesmente não poderia ter criado o espiritismo de outro modo, senão seguindo o que os postulados da época lhe impunham. De passagem, podemos afirmar o mesmo de outra mística oitocentista, a russa H. P. Blavatsky, cuja doutrina teosófica se baseia em raças humanas.

485px-Allan_Kardec_portrait001[1]Com o passar do tempo, contudo, e com o aprimoramento do pensamento científico, bem como com o avanço das ciências sociais, constatou-se que considerar qualquer raça humana inferior a qualquer uma outra é um erro. Inclusive, classificar humanos tenho a cor da pele como critério para distingui-los é algo cientificamente errôneo. Em outras palavras, hoje sabemos que o racismo é um erro.

Assim, caso se estude Kardec, entendendo-o de modo contextualizado, certamente ele será visto não como “racista”, mas como mera amostragem do que foi o homem culto europeu do século XIX. Todavia, e aqui cabe um alerta, caso ATUALMENTE você defenda todas as ideias kardecistas, fundamentado em qualquer tipo de preceito, aí sim, será você o RACISTA. Afinal, todos concordarão, atualmente, caso criássemos uma fábrica de automóveis onde a velocidade máxima dos veículos fosse 30 km/h, estaríamos fadados a um completo fracasso.

Abraços e obrigado pela questão.

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Créditos da imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Allan_Kardec

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scritabus_letra_Qual de vocês não odeia os spams? Eu os detesto. Mesmo assim e apesar de receber dezenas deles por dia, normalmente não me chamam a atenção. Exceção seja dito a respeito do recente spam oferecendo óleo de azaleia gigante do Nepal. Achei a coisa tão bizarra que me pareceu nítido sinal de fim dos tempos. Sinceramente, dá até vontade de sumir dá internet.

Contudo, depois de receber o desventurado spam, já anunciado aqui, outra abominação passou a frequentar minha inconformada caixa de lixo eletrônico. Desta feita, tratarei de, honestamente, registrar neste breve post minha reclamação quanto ao que considero uma injustiça.

Pois bem, quanto a tal abominação, tratou-se de um spam que me oferecia cursos sortidos de terapias alternativas. Entre dezenas de gifs animadas de cãezinhos abanando o rabo, o tal spam oferecia a seguinte variedade de cursos:

– Curso de Florais de Bach para Uso em Animais;
– Curso de Florais de Bach para Uso em Humanos;
– Curso de Cromoterapia para Uso em Animais;
– Curso de Cromoterapia para Uso em Humanos;
– Curso de Aromaterapia para Uso em Animais;
– Curso de Aromaterapia para Uso em Humanos;
– Curso de Cristaloterapia para Uso em Humanos;
– Curso de Cristaloterapia para Uso em Animais;
– Curso de Fitoterapia para Uso em Humanos;
– Curso de Fitoterapia para Uso em Animais;
– Curso de Terapia de Regressão a Vivências Passadas.

Detalhe apimentado: todos os cursos seriam feitos “à distância”.

bettaMuito bem. Registro aqui o que considero uma injustiça: a não existência do Curso de Terapia de Regressão a Vivências Passadas para animais. Qual de vocês que possui pelo menos um animalzinho não gostaria de perscrutar a vida passada de seu querido ente de estimação? Penso que tal investigação traria a baila bastantes explicações úteis para o bicho. Por exemplo, teria sido perfeito para mim na época em que eu tinha um imbatível peixe-de-briga do tipo Betta splendens. Ele era tão neurótico, que pulava em média duas vezes por dia para fora do pequeno aquário onde vivia. Talvez ele pensasse ser um peixe-voador ou algum guerreiro bípede que inadvertidamente – por inépcia do Criador – encarnou numa indesejada existência aquática. Quem sabe, uma boa Terapia de Regressão o curasse, provendo-lhe a satisfatória explicação do por que ser atualmente um Betta.

Concluindo meu protesto, até que seja instituído o novo curso de Terapia de Vidas Passadas para animais, recusarei qualquer tipo de terapia alternativa.

Vida que segue.

Ps.: este singelo post é politicamente corretíssimo. Meu imbatível peixe-de-briga em questão jamais foi derrotado porque eu nunca o pus em prova, mantendo-o longe dos combates.

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scribatus_letra_Após a publicação de meu artigo sobre a religião thelêmica (que pode ser lido aqui), tenho sido frequentemente questionado pelos estudantes do Sistema Iniciático proposto por Aleister Crowley a respeito da Lei de Thelema ser ou não ser uma Religião. Aproveito este espaço para deixar, mais uma vez, registrado o que penso sobre o assunto.

Embora o tema suscite debates às vezes acalorados, objetivamente há pouco o que se discutir a respeito dele. De fato, Thelema é uma religião, com todas as peculiaridades próprias a qualquer outra religião. Thelema possui sua ‘Bíblia’ (chamada pelos thelemitas de Liber Al vel Legis), seu Profeta (Aleister Crowley), seus dogmas, seus deuses, sua teologia, além de liturgia, Igrejas, Missa, eucaristia, batismo e confirmação, orações, ofertório, fiéis, sacerdotisas, diáconos, sacerdotes, credo, etc. Até mesmo catecismos(1) e uma fantástica lista de Santos a religião thelêmica possui.

Ademais, tanto considerar Thelema uma religião quanto Crowley um Profeta está perfeitamente de acordo com os textos do fundador desta religião (o próprio Crowley). Por exemplo, sobre Thelema ser uma religião, ele fala a respeito do comportamento religioso do thelemita, dizendo de modo muito claro que “Quando você bebe e dança e se delicia, você não está sendo ‘imoral’, você não está ‘arriscando a sua alma imortal’; você está cumprindo os preceitos da nossa SANTA RELIGIÃO”.(2) Já quanto à questão de considerá-lo um Profeta, é ele mesmo quem diz, falando na terceira pessoa, que “Este título lhe é dado mais frequentemente do que qualquer outro”.(3)

aleister_tradicionalA O.T.O. por exemplo, sobremodo a sua variante estadunidense conhecida pela alcunha ‘Califado’, é bem taxativa sobre o fato de Thelema ser uma Religião. Em concordância com seu dogma iniciático, em sua página oficial é explicitamente e publicamente dito que “a RELIGIÂO conhecida como Thelema foi fundada em 1904 pelo poeta e místico inglês Aleister Crowley (1875 – 1947), que é considerado como seu PROFETA”.(4) O próprio líder da Grande Loja desta ramificação da O.T.O. assevera sem pestanejar que “somos uma Ordem religiosa. Nossa religião é Thelema”.(5)

Alguns thelemitas, entretanto, são um tanto que compreensivelmente reacionários quanto a chamar a religião thelêmica de religião, visto o inevitável e indesejado peso trazido por esta palavra, há muito exageradamente estigmatizada em certos meios com o que de pior existe na humanidade. Daí a tendência destes não aceitaram Thelema como religião, preferindo entendê-la na forma de uma não muito bem definida “filosofia” ou “filosofia de vida”. De todo modo, estes mesmos thelemitas já aceitam dizer que apesar de Thelema ser uma “filosofia”, ela se encontra recheada de um sentimento ou sentido religioso bem grande.

Há de se dizer que a ideia de não se considerar Thelema uma religião pode ser algo muito válido. Isto é semelhante à ideia de considerar o cristianismo apenas uma filosofia de vida e não uma religião. Como ilustração, você pode estar orientado pelo ideal de ser uma boa pessoa que vive de acordo com os princípios pregados por Jesus Cristo e tudo mais, mas sem se submeter às obrigações religiosas impostas, por exemplo, pela Igreja Católica. Deste modo, resumidamente, você não precisará ir a Missa e muito menos deverá fiel obediência nem ao Papa e nem a ninguém que componha o obeso séquito católico. Você será um tipo de Cristão ‘não praticante’, sendo o cristianismo para você uma saudável Filosofia de Vida. Do mesmo modo ocorre com um thelemita. A pessoa poderá viver de acordo com sua regra de ‘Faze o que queres’, mas não se submeter a nenhuma das imposições religiosas e dogmáticas, próprias da religião thelêmica instituída, sobremodo através de suas Ordens Religiosas.

Outro ponto merece ser destacado aqui, ainda no que concerne a premente dificuldade dos thelemitas lidarem bem com a questão de Thelema ser uma religião. Acontece que até mesmo o próprio Aleister Crowley, o criador de todo este sistema religioso, sentia-se estranhamente embaraçado – até irritado – quando questionado sobre o assunto. Depois de se intitular profeta e depois de tanto falar sobre sua religião, sobre a religião dos thelemitas, além da necessidade do mundo ter religião, foi no final da vida que ele passou a se sentir incomodado com este tipo de argumentação. Para que se tenha noção de como o tema passou a perturbar Crowley, vale repetir as palavras de uma das dezenas de cartas presentes em seu volumoso Magick Without Tears: nesta carta, ao ser questionado por uma discípula se Thelema é uma religião, Crowley diz que: “Chame isso de uma nova religião, então, se isso tanto agrada a vossa Graciosa Majestade; mas confesso que não vejo o que você ganhará ao fazer isso, e sinto-me obrigado a acrescentar que você pode facilmente causar um grande mal-entendido, e causar um tipo estúpido de injúria em particular”.(6)

crowley_liber_al_espNestas breves palavras, vê-se nitidamente a perturbação causada pelo assunto. A cínica e desnecessária ofensa desferida contra sua discípula, chamando-a de “graciosa majestade”, indica claramente o quanto pouco a vontade o Profeta do Novo Aeon se sentia ante a matéria. Indo além, a curta observação de Crowley “não vejo o que você GANHARÁ” dá pano à reflexão: afinal, caso se trate de ganhar ou perder algo, o que Crowley tem a perder caso se demonstre que Thelema é uma religião ou o que os thelemitas têm a perder com isso? Especulações e reflexões à parte, o que mais salta aos olhos ao longo de toda a carta é justamente aquilo não dito: em nenhum momento é afirmado que Thelema não é uma religião.(7)

Ainda sobre a citada carta, valerá uma rápida palavra final. Aleister Crowley, tão versado na escrita e costumeiramente bastante convincente naquilo que dizia, encerra seu texto de modo precipitado, tosco, quase risível, aparentando simplesmente não saber exatamente mais o que falar sobre o caso. Assim, ele conclui apressadamente a carta dizendo meramente que “a palavra não ocorre em Liber AL”. Ora, se com isso ele quer insinuar que Thelema não é uma religião porque esta palavra não aparece em seu principal texto, então qualquer um poderá inferir que Thelema também não é uma filosofia, pois, igualmente, esta palavra “não ocorre em Liber AL”.

Enfim, considero que os elementos e argumentos estão à mesa, não sendo necessário me estender mais. Finalmente, repito a indicação já feita, caso alguém queira ler um pouco mais sobre os fundamentos da religião thelêmica, uma despretensiosa introdução ao assunto pode ser encontrada em meu artigo Thelema: Uma Religião da Nova Era.

NOTAS:

1 Para passar de grau, o inciado da Ordo Templi Orientis é submetido a um “catecismo”.

2 Ver Liber DCCCXXXVII, texto em português em http://www.thelema.com.br/espaco-novo-aeon/livros/liber-dcccxxxvii-a-lei-de-liberdade/ . No original, “When you drink and dance and take delight, you are not being immoral, you are not risking your immortal soul; you are fulfilling the precepts of OUR HOLY RELIGION”; em Crowley, A. The Equinox, Vol. III, nº 10, ed. Hymenaeus Beta – Samuel Weiser Inc. (Maine, 1990).

3 “This title is given to him more frequently than any other”, em Crowley A. The Equinox, Vol. V nº 2, ed. Marcelo R. Motta – Thelema Publising (Nashville, 1979), p. 215.

4 “The RELIGION known as Thelema was founded in 1904 by the English poet and mystic Aleister Crowley (1875 – 1947), who is regarded as its PROPHET”. Fonte: http://oto-usa.org/about_thelema.html

5 “We are a religious Order. Our religion is that of Thelema”. Fonte: http://hermetic.com/sabazius/SbSpeech6.htm

6 O texto completo da carta pode ser lido em http://www.thelema.com.br/espaco-novo-aeon/ensaios/religiao-thelema-e-uma-nova-religiao/

7 E não apenas nesta carta. Em nenhuma parte de sua quilométrica obra Crowley afirma que Thelema não é uma religião.
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