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Archive for the ‘História’ Category

Segue aqui minha participação, junto com o amigo Carlos Hollanda, no programa Documento Verdade, da RedeTV. O tema era “previsões sobre o fim do mundo”, quando tive a oportunidade de falar um pouco sobre o Apocalipse de São João. O programa foi ao ar no último dia 11 de agosto de 2017.

Abraços a todos.

Carlos Raposo

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gotica_h_negraoje me lembrei de um professor que tive. Foi lá em pleno “científico”, atual ensino médio, quando fiquei quase um ano sob sua tutela. A recordação foi provocada por um pequeno blá blá blá que casualmente li aqui no facebook. Nele, alguém que me pareceu ser uma “educadora” fazia comentários lisonjeiros a quem dizia ser “o melhor educador do mundo”.

Achei interessante a coisa, mas fiquei meio desconfiado, pois o polarizado ponto de vista da moça apontava sempre para o mesmo lugar. Em suma, ela surrava o que – certamente inspirada pelo melhor do mundo – chamava de “ensino de bancada”. Era um discurso que desmoralizava formas tradicionais de ensino, em favor de um conhecimento mais, na palavra dela, socializado. Algo do tipo, cadeiras arrumadas em círculo, eliminação do posto fixo do professor e demais sequelas de mesmo estilo.

Foi neste momento que aquela recordação brotou de minha memória. Mais especificamente quando aquele professor entrou em sala de aula. Todos nós, alunos terceiranistas, movidos por aquele inesgotável entusiasmo púbere, tocávamos a maior zona na sala e não percebemos a entrada do velho mestre. Entretanto, aos pouco, demo-nos conta da presença desta criatura, estranha e impassível, lá no recinto. Levemente constrangidos, mas sem perder o ar de deboche, fomos nos acomodando em nossos lugares. De repente, um pesado silêncio tomou conta da sala. Então ele, bem tranquilamente, ajeitou seus óculos e nos disse algo como:

Professor_2– Bom dia turma. Já que vocês estão em respeitoso silêncio, posso então me apresentar. Meu nome é Luís, Luís Lessa, e estou aqui com uma tarefa, ensinar-lhes história. Não é uma tarefa muito fácil, mas pode ser bastante prazerosa. Assim, gostaria de fazer um trato com vocês, um acordo bem simples. É possível? Ótimo. Pois bem, o trato é o seguinte: eu falo, vocês escutam e estudam.

Imediatamente depois começou a aula. Roma antiga. A turma, meio perplexa, escutava o mestre. Cerca de trinta minutos depois, ele soltou um leve “escutar não os eximem de perguntar”. Logo, uma pergunta ou outra ia surgindo e a aula continuava fluindo como se fosse mágica.

Na verdade, hoje sei, era de fato mágica: a magia de aprender com quem realmente sabe e que não esconde qualquer vício com a suposta virtuosidade de didatismos hodiernos. Passamos o terceiro ano todo deste modo.

Este Mestre foi um dos melhores que tive.

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scribatus_letra_Em seu livro “A Pilgrim’s Path: Freemasonry and the Religious Right” (M. Evans & Company, 1993), páginas 117 e 118, o escritor John J. Robinson analisa a imagem “The Wayfarer”, do artista holandês Hieronymus Bosch (ie. Jeroen van Aeken – c. 1450-1516).

Na análise feita, Robinson ali identifica uma série de símbolos os quais, em seu entender, são maçônicos. Entre tantos, por exemplo, é chamada a atenção para a perna esquerda desnuda, o prumo afixado no chapéu, bem como o estranho posicionamento do que parece ser um esquadro, localizado acima do portão de madeira. Aquele autor também chama a atenção para a direção tomada pelo Viajante: ele se dirige para o Leste. A partir da identificação destes símbolos, Robinson aventa a possibilidade de Bosch ter sido iniciado na Maçonaria.

Jheronimus_Bosch_112

Há algo que boa parte daqueles que se interessam por Maçonaria precisa entender. O fato de haver imagens hoje interpretadas como maçônicas espalhadas por aí não quer dizer que os autores destas imagens sejam o tenham sido maçons. No caso específico da análise feita por Robinson, vale lembrar que Bosch viveu bem antes da formalização da Maçonaria dita especulativa, formalização esta ocorrida em 1717.

Por óbvio, isto não quer dizer que os símbolos porventura assimilados pela Maçonaria passaram a existir apenas depois desta data. Na verdade, eles são quase tão antigos quanto antigo é o ser humano. Falando sem muito rigor, há muito que eles habitam o imaginário popular e não pertencem a qualquer grupo ou instituição.

Sendo bem objetivo, Bosch não era maçom e nem a belíssima imagem “The Wayfarer” não tem, diretamente, qualquer conotação maçônica. Bem mais plausível é afirmar que Bosch, brilhante artista que era, conhecia muito bem o imaginário humano e dele livremente extraiu os diversos elementos que vieram a compor sua inigalável obra.
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Imagem: “The Wayfarer” (fonte, Wikipedia)

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vespasianoscribatus_letra_Suetônio atribui esta rápida passagem a Vespasiano (circa 9-79, d.C.), que foi Imperador de Roma durante seus últimos 10 anos de vida. Suetônio conta que Vespasiano tomara uma série de medidas, visando reformar financeiramente o império. Entre elas, estaria tributar a utilização das latrinas públicas de Roma. Seu filho, Tito (circa 39-81), opunha-se a medida, alegando que a mesma traria inúmeros desconfortos ao Imperador. Sobretudo piadas de baixo nível seriam feitas, muitas das quais associariam fetidez ao dinheiro arrecadado pelo denominado imposto da urina. Depois de escutar as ponderações de seu filho, Vespasiano pegou a primeira moeda paga pelo uso das latrinas e fez Tito cheirá-la. Depois, proferiu, daquele modo próprio apenas aos imperadores: non olet! Em ótimo português, “não olente”. Em palavras mais tranquilas, “sem cheiro”.

Lembrei-me daquele Imperador ontem. Foi quando soube a respeito da Escola de Samba campeã carioca em 2015, a Beija-Flor de Nilópolis. Ela haveria utilizado dinheiro vindo de uma ditadura africana. Guiné Equatorial é o nome do país. Seu ditador, Teodoro Obiang, há 35 anos manda no pedaço, supostamente doara R$ 10 milhões à agremiação nilopolitana. Seria o óbulo oferecido pelo samba-enredo da escola, que o homenageava. Houve até uma comitiva deste país vinda ao Brasil, especialmente para prestigiar o desfile da Beija-flor. A comitiva era chefiada pelo Vice-Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Mangue. Não, este não é o já citado ditador, mas ninguém menos que seu filho. Pai Presidente e filho Vice: estranheza somente explicável por ditaduras. Para completar o caso, um andar inteiro do Copacabana Palace reservado, camarotes na Sapucaí e R$ 80 mil gastos em churrascaria durante uma breve noitada. Tudo fartamente regado com bastante Dom Pérignon. Doações, contas e champanhe, por óbvio, pagas com o dinheiro da ditadura. Alguém se importou com isto? Non olet.

beija_flor_2015

Hoje, a Beija-Flor negou a doação. Negou-a também a Presidência da Guiné Equatorial. Segundo a agremiação, o Governo da Guiné teria tão somente dado apoio cultural à confecção do tema e das alegorias. Assim, o suporte teria vindo na forma de livros, fotos e materiais diversos. Noutras palavras, não haveria dinheiro nisto, sendo o suporte meramente cultural. Todavia, e os 10 milhões? Ah, o dinheiro viria de empreiteiras brasileiras que estão naquele país, a serviço de seu governo. Então, neste caso, a lógica mudaria. O governo da Guiné Equatorial pagaria as empreiteiras. Estas, por sua vez, pagariam a Beija-Flor. Novamente, non olet.

E as demais Escolas de Samba? Como são financiadas? Não sei bem. Contudo, se visitarmos a história recente de várias delas, de quase todas, veremos um quadro no mínimo próximo ao que ocorreu com a Beija-Flor de Nilópolis. Não foi o dinheiro da ditadura que as financiou, mas, conforme muitos desconfiam, teria sido o do tráfico e o da contravenção. Mais uma vez, parece assunto sem importância. Non olet.

Obs.: Mutatis mutandis, hoje a expressão vespasiana non olet foi absorvida pelo Direito Tributário, na forma da cláusula pecunia non olet. Em brevíssima suma, em termos de fisco, desde que declarado e desde que tributável, não interessa se a fonte de onde vem o dinheiro é lícita ou não. É que o dinheiro não tem cheiro. Enfim, é o que dizem.

O que eu digo é: sim, ele fede e muito.

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Crédito das fotos:
Vespasiano: http://pt.wikipedia.org/wiki/Vespasiano
Beija-Flor: http://www.cacp.org.br/

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scribatus_letra_Será que vivemos uma democracia? Talvez não. Estava a matutar sobre mais este escândalo bilionário envolvendo a morrediça Petrobras, quando me ocorreu algo óbvio: nosso país parece ser governado por ladrões. Lamento profundamente isso.

Além de lamentar, estava eu a procura de um termo que definisse melhor tal situação, ser governado por ladrões. Busquei e achei algo que define com notável precisão estes dias politicamente sombrios, nos quais vivemos. O termo é Cleptocracia. Vejam a definição dele:

Cleptocracia (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cleptocracia)

Cleptocracia, é um termo de origem grega, que significa, literalmente, “Estado governado por ladrões” , cujo objectivo é o do roubo de capital financeiro dum país e do seu bem-comum. A cleptocracia ocorre quando uma nação deixa de ser governada por um Estado de Direito imparcial e passa a ser governada pelo poder discricionário de pessoas que tomaram o poder político nos diversos níveis e que conseguem transformar esse poder político em valor econômico, por diversos modos.

A fase “cleptocrática” do Estado ocorre quando a maior parte de sistema público governamental é capturada por pessoas que praticam corrupção política, institucionalizando a corrupção e seus derivados como o nepotismo, o peculato, de forma que estas acções delitivas ficam impunes, devido a que todos os sectores do poder estão corruptos, desde a Justiça, os funcionários da lei e todo o sistema político e económico.

Irmãos Metralhas

Irmãos Metralhas

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letra_Já faz algum tempo, é verdade. Contudo, a recordação é bem vívida em minha memória. Tive a boa sorte de ter aulas de política, ainda enquanto efebo. A matéria em si era – num primeiro momento – detestável: OSPB. Sei bem, poucos estarão inteirados a respeito do que ela tratava. Aliás, talvez este acróstico hoje seja mistério a quase todos. Não importa muito. Melhor: não importa nada.

Mais havia quem transformasse aquela detestável matéria num evento ansiado pelos alunos. Em dados momentos da aula, nosso professor andava devagar até as janelas. Olhava para um lado e para o outro e dizia meio que aos sussurros. “Acho que posso falar a vontade”. Era uma espécie de sinal. Sabíamos que o show começara. Depois, ele fugia do tema e despejava conhecimento político. Sistemas de governo era a predileção dele. Falava, criticava, elogiava, ponderava, xingava. Foi assim que eu soube que existiam democracia, autoritarismo, totalitarismo, capitalismo, comunismo, etc. Na época não entendi muito bem, é fato. Todavia, sentia-me empolgado com as discussões que nós naturalmente abríamos ante aquele saber.

Um dos temas que mais me chamou a atenção foi a distinção feita entre regime autoritário e totalitário. Em grosseiras palavras atuais, tentarei resumi-lo. No autoritarismo, dizia, o sujeito obedece e pronto. Vejam só os generais que agora dominam Brasil. Vocês têm que obedecê-los. Se não quiserem, ora, vão embora do país. É isso, pessoal, que significa essa coisa idiota de “ame-o ou deixe-o”. Ninguém autoritário quer saber o que você pensa, basta obedecer. Já no totalitarismo, aí a coisa é bem diferente. Diferente como? O totalitarismo é autoritário, certamente. Entretanto, não basta para os sistemas totalitários serem autoritários. Eles querem saber o que você pensa. Assim, meus camaradas, eles invadem a sua casa, entram na sua cabeça e, finalmente, tomam suas almas. Depois, transformam-lhes em unidades de propagação, em ferrenhos e descontrolados militantes, de modo que vocês passem a arregimentar o maior número possível de correligionários. Sistemas totalitários são pragas que destroem famílias. É o Estado se tornando, por um lado, monstruoso, pois ocupará todos os lugares e, por outro, instrumento, pois estará a serviço de um Partido. E ai daquele que se opuser ao Partido, continuava ele dizendo. Na China Maoista, por exemplo, não foram poucos os casos de jovens convertidos denunciando os próprios pais. Estes eram simplesmente executados, conquanto que os filhos denunciadores eram condecorados por serviços prestados ao Partido.

Nosso professor seguia, falando da corrupção presente em todos os regimes. Não há sistema inocente, por melhor que possa parecer, frisava. O capitalismo é corrupto, assim como o comunismo. As democracias também o são, embora nelas tenhamos certa liberdade e capacidade punitiva. Ressaltava, todavia, que, historicamente, os sistemas totalitários eram – de todos – os mais corruptos. Afinal, não é possível lhes fazer oposição.

A turma ficava sempre inflamada com estes temas. Naquele colégio com forte inclinação judaica-cristã, cada um de nós tínhamos discursinhos prontos para defender o que na nossa inocência pensávamos ser o correto. Desse modo, falávamos, externávamos nosso espanto e discordância, perante todo aquele mar de corrupção e crime. Porém, ante nossa indignação e agitação, nosso querido professor sempre disparava uma frase de efeito. Geralmente, ela nos deixava perplexos e mudos. Ficávamos atônitos.

Uma delas para mim foi a pior de todas. Hoje, domingo, dia 26/10/2014, por alguma razão tive a lembrança nada agradável dela. Deixo-a registrada aqui:

– Meus queridos! Espero que vocês nunca concordem com o que vou lhes dizer, mas sei que vocês um dia ainda vão entender uma coisa trágica: o crime compensa.

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“Fatalidade”

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a ausência do Presidente da República… bem, ocorreu mais ou menos assim. A Presidenta da República, sra. Dilma, foi para os EUA. Dois encontros a aguardam. Hoje, 23/09, a cúpula para discutir o clima planetário; amanhã, Assembleia Geral da ONU. Em seu lugar, assumiria o Vice-Presidente, Michel Temer. Contudo, este preferiu dar um pulo lá no Uruguai, para papear com o Mujica, o Presidente cisplatino.

Até aí tudo bem. A Carta Maior nos diz: nesse caso, assume o Presidente da Câmara dos Deputados. Opa! Mas este Presidente, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), concorre ao governo do Rio Grande do Norte e se assumir o posto executivo máximo da nação, por segundos que sejam, ficará inelegível. Logo, ele pediu “licença”… Sem problemas. Nosso Documento Máximo continua: nesse caso, assume o Presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Opa! Mas se este alagoano assumir a Presidência da República, seu filho, Renan Filho (PMDB-AL), que concorre ao governo de Alagoas, corre o risco de também ficar inelegível (nepotismo?). Assim, Renan pai pediu “licença”…

Todavia, a Carta ainda tem fôlego. Ela segue, dizendo: nesse caso, vá lá, assume o Presidente do STF, Supremo Tribunal Federal. Deste modo, talvez um tanto que acabrunhada, nossa Constituição agora parece dizer: vai que é tua Lewandowski!

Senhores, com vocês, o Presidente do Brasil, em exercício, Ministro Ricardo Lewandowski.
(foto: Roberto Stuckert Filho/PR – no g1)
Lewandowski

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