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Archive for the ‘Opinião’ Category

nvente uma imbecilidade. Diga que é um “app” legal. Dê-lhe um nome bonitinho (“franqueza”, por exemplo). Publique matérias pagas que repetem que o “app” é mesmo legal. Diga a todos que é o “app” mais baixado. Atraia desavisados e desavisadas para fazer parte da joça. Trace-lhes os perfis e preferências. Faça-os perderem muito tempo ali. Faça-os perderem muito tempo dizendo que estão ali. Espere a massa de dados ser gigante. Depois, venda a coisa às gigantes da rede.

Ao longo do imbróglio, quase todos perdem. Perdem até mesmo aqueles que lá não estão. Quase todos perdem, senão aqueles que inventaram ou compraram a imbecilidade.

Ah, sim. Há lá fora um lindo domingo ensolarado de inverno.

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s agências dos Correios foram temporariamente divididas em duas: numa das metades, todos os corriqueiros usuários da Estatal; na outra, brasileiros agraciados com um kit gratuito de uma espécie de antena digital. Parece que boa parte, senão todas, das agências próprias dos Correios estão assim. Na agência que costumo ir, o resultado desta divisão é desastroso para os usuários. Nela, apesar de haver sete caixas, normalmente apenas três ou quatro ficam abertos. Agora, dois estão reservados para atendimento dos agraciados, enquanto um ou dois atendem o público de modo geral. Sim, este mesmo público que paga caro pelo serviço postal brasileiro agora também tem que lidar com isto.

Enfim, este benefício dado pelo governo brasileiro consta do seguinte, resumidamente: como o sinal analógico da TV aberta será desligado, todos os brasileiros inscritos no “Cadastro Único” para Programas Sociais, sobremodo os beneficiários do Bolsa Família, têm direto ao kit de TV digital. Assim, os Correios passaram a ser o principal distribuidor das antenas.

Não irei me ater aqui ao mérito deste programa. Contudo, faço questão de registrar o que casualmente escutei de um de seus beneficiários. Ocorre que depois de meia hora aguardando ser atendido, sentaram-se a meu lado um jovem casal, cujo diálogo foi mais ou menos este:

– Ê, fulano, já tão dando as antenas.
– Legal, vamos se inscrever. Vamos pegar duas, uma pra vc e outra pra mim.
– Mas, fulano, nós não temos duas TVs!
– Ô mulher, se liga. A gente tem gatoNET e não precisa de mané antena nenhuma.. a gente vai é vender as parada! (ie., as antenas)
– Ah…

Depois, bem, tocou minha senha e fui ser atendido. Vida que segue.

Fonte da imagem:
http://calendariobolsafamilia2016.org/seja-digital-bolsa-familia/

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letra_No Twitter e em outras Redes Sociais, notei que – de súbito e por alguns ralos instantes – muita gente havia transformado a hastag #Clarice em algo dos mais citados. Que ótimo, pensei, lembrando-me imediatamente da notável e deslumbrante escritora Clarice Lispector. Pavoroso engano de minha parte. Logo me alertaram para a crudelíssima realidade da coisa. Era uma Clarice, de fato, mas a anos-luz de ser a Clarice. Uma pena.

Sim, uma pena. Tratava-se apenas dum clipe de nudez explícita e de palavreado chulo. Nada demais. Um troço corriqueiro e tacanho. Explicitamente banal. Perfeitamente previsível e tolo. Contudo, totalmente adequável ao tipo de sociedade com a qual – queiramos ou não – somos obrigados a conviver.

Confesso que, no momento, até pensei ser gentil e escrever algo de positivo e legal sobre esta gente. Sobre a nossa sociedade, por mais canhestra que ela seja. Desculpe-me, mas não obtive logro. Ocorre que, para ser gentil, tentei me refugiar naquele Profeta, o Gentileza. Sim, esse mesmo. Aquele que certa feita gravou “gentileza gera gentileza”. Pois é, eu quis ser gentil, mas me apanhei num trocadilho. Assim, data venia, ou melhor, meu querido Gentileza, data maxima venia, digo apenas: gente lesa gera gente lesa.

Bye.

lamento

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scritabus_letra_Nesta última 6ª-feira precisei percorrer alguns bairros cariocas. Fora um para-brisa estilhaçado que me o obrigou. Necessitava trocá-lo. Custou-me a tarde inteira para consertá-lo. Tudo bem. Aproveitei o meu pequeno périplo para observar os transeuntes. Mais especificamente, seus trajes. Queria encontrar camisas vermelhas.

Ocorre o seguinte. Na última quinta-feira, o ex-Presidente Lula fez uso da palavra. Certo é que alguns continuam a admirá-lo, embora bem menos o tenham aplaudido. Os que lhe ouviram o saberão: nosso ex-Presidente clamou pelo uso da vestimenta rubra. Ele disse algo como “a militância tem que andar de camisa vermelha”. Assim, lá estava eu, na tarde do dia seguinte, a observar a incidência da coisa.

Surpreendi-me com o que encontrei. Melhor dizendo, com o que não encontrei. Não vi viva alma enrubescida pela roupa. O apelo de Lula não funcionou. Não quero afirmar nada ofensivo, logo digo. Contudo, conclui ter sido o rubor moral de boa parte daquela militância o responsável pelo sumiço das camisas vermelhas.

Registro seja feito, encontrei alguém trajando uma camisa vermelha. Era um senhor, de certa idade. Por óbvio, tratava-se dalgum sujeito de extrema resignação. Não consegui evitar encará-lo. Ao perceber meu espanto, ele sorriu. Depois, pegou o escudo da camisa e o beijou. Entendi perfeitamente o recado. Era como se ele me dissesse: sim, é isso. Sou carioca e sou América, sim senhor. Com muito orgulho, com muito amor.

Então, apenas direi: salve, salve, manto americano!

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scribatus_letra_Então alguém é servidor público. Dada à crise ou graças a outros percalços, subitamente, a pessoa se vê em apuros financeiros. A respeito de tal, o Estado brasileiro, demonstrando toda sua generosidade, tem a solução para seu problema: um belo serviço de gestão de crédito consignado, destinado *apenas* para funcionários públicos. Tudo ótimo. Ótimo? Talvez não.

Em pano rápido, descobriu-se que a empresa contratada pelo próprio governo brasileiro para operar tecnicamente o serviço cobrava mais do que deveria pelo crédito. Como? Sim, isso mesmo: cobrava mais do que deveria. Mas, por quê? Resposta: arrecadamento de propina. Cerca de 70% deste “faturamento extra” se destinava ao então partido governista e a alguns políticos. Segundo a Polícia Federal, de 2009 a 2015 aproximadamente R$ 100 milhões foram tirados indevidamente daqueles que recorreram à generosidade estatal.

Ainda conforme a PF, dezenas de milhares de funcionários públicos foram roubados pelo esquema. Noutras palavras, sem o saberem, estes funcionários financiaram parte da engrenagem da corrupção brasileira. O que dizer a respeito?

Ultimamente, a palavra “golpe” tem sido usada com certa frequência. Pois é, tem sido usada, um tanto que indevidamente. Entretanto, e aqui quase todos concordarão, isto aí foi um autêntico golpe dado nos servidores públicos.

Um golpe de doer.

Golpe

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