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Posts Tagged ‘Lula’

ntrei no elevador e por mero lapso não lhe apertei o térreo imediatamente. A porta se fecha e o troço resolve subir. Raios, pensei, até que ele chegou ao 12º andar. Alguém abre a porta e entra. Bom dia, a pessoa me diz. Respondo, bom dia. Começamos a descer. Então, a criatura ali desanda a me falar. Resumidamente, foi algo como:

– Pois é. Veja só esta greve. Dos caminhões, sabe? Um absurdo. Mas eles têm direito. Fazer o que? As pessoas estão meio doidas, você não acha? São as redes sociais. É cada coisa. E as fake News? A culpa é dos militares. Deviam agir. Mas acho melhor não. No meu tempo a coisa ficou preta da silva. A gente corria e apanhava dos milicos. Mas a época nem se compara com a de hoje. Hoje é muito pior. Mas naquela época também era ruim. Mas era melhor. Acho que eles deviam agir, ou não? Nem sei mais. Sei que depois veio o Sarney e a coisa ficou ainda pior. Votei no Lula, mas ele perdeu. Piorou tudo. Votei no FHC e ele ganhou. Legal. Depois votei no Lula de novo e ele ganhou. As coisas melhoraram, mas a que custo né? Agora todo mundo sabe. Cretino. Aí veio a anta. Nem quero falar nada. Nem me lembro se votei nela. Paulo Freire tem razão. Como é mesmo que ele falava? Ah, deixa prá lá. Tenho formação em pedagogia. E agora tem a copa. Será que o Brasil vencerá? Ih, tenho que procurar um posto. Estou sem gasolina. Será que encontro um? Um absurdo esta greve. A dos caminhões. Veja só a que ponto chegamos. As redes sociais são um problema. As fake news…

Chegamos ao térreo. Doze longos andares, mais o play e as garagens. Viagem quase interminável. Novamente, porta do elevador aberta e um mútuo bom dia. Segui com minha vida. Aquela criatura seguiu com a dela. Benedicat te Omnipotens!

Concluindo, concordo: as pessoas estão mesmo meio doidas.

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scritabus_letra_Nesta última 6ª-feira precisei percorrer alguns bairros cariocas. Fora um para-brisa estilhaçado que me o obrigou. Necessitava trocá-lo. Custou-me a tarde inteira para consertá-lo. Tudo bem. Aproveitei o meu pequeno périplo para observar os transeuntes. Mais especificamente, seus trajes. Queria encontrar camisas vermelhas.

Ocorre o seguinte. Na última quinta-feira, o ex-Presidente Lula fez uso da palavra. Certo é que alguns continuam a admirá-lo, embora bem menos o tenham aplaudido. Os que lhe ouviram o saberão: nosso ex-Presidente clamou pelo uso da vestimenta rubra. Ele disse algo como “a militância tem que andar de camisa vermelha”. Assim, lá estava eu, na tarde do dia seguinte, a observar a incidência da coisa.

Surpreendi-me com o que encontrei. Melhor dizendo, com o que não encontrei. Não vi viva alma enrubescida pela roupa. O apelo de Lula não funcionou. Não quero afirmar nada ofensivo, logo digo. Contudo, conclui ter sido o rubor moral de boa parte daquela militância o responsável pelo sumiço das camisas vermelhas.

Registro seja feito, encontrei alguém trajando uma camisa vermelha. Era um senhor, de certa idade. Por óbvio, tratava-se dalgum sujeito de extrema resignação. Não consegui evitar encará-lo. Ao perceber meu espanto, ele sorriu. Depois, pegou o escudo da camisa e o beijou. Entendi perfeitamente o recado. Era como se ele me dissesse: sim, é isso. Sou carioca e sou América, sim senhor. Com muito orgulho, com muito amor.

Então, apenas direi: salve, salve, manto americano!

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