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Posts Tagged ‘Natal’

scritabus_letra_Faz pouco tempo inauguraram aqui pelas cercanias um baita presépio. Ele é mesmo imenso. Gosto de vasculhar dicionários. Fiz isso, em busca dalgum termo que o adjetivasse bem. Deparei-me com “mastodôntico”. Então, inauguraram um presépio mastodôntico aqui pelas cercanias. Nada contra. Todavia, o colosso me gerou uma dúvida. Vou externá-la aqui.

Nas afabulações neotestamentárias que pretendem nos narrar a mais famosa das Natividades, contam-nos que o Salvador teria vindo à luz em modestíssimo recinto. Nelas, apenas é mencionada uma singela manjedoura. Se há alguém por aí que não saiba direito o que manjedoura vem a ser, ela pode ser entendida como estábulo, cocho, estrebaria. Enfim, não haverá sã alma a pensar tal local como algo exuberante. Não seria sensato imaginar ali qualquer tipo de cenário portentoso. Talvez algumas reses, a trinca de Magos, José e Maria, além obviamente do famoso Rebento, estivessem ali. Contudo, ninguém mais, nada mais. A conjuntura da aparição deste Menino Deus – se damos créditos àqueles Livros Santos – fora assim mesmo, acanhada, pejosa, discreta. Logo, está longe de ser difícil concluir que o que normalmente vemos em presépios é, no mínimo, estranho. Pela opulência, pela riqueza, tudo se encontra longe de qualquer representação calcada nas Escrituras. No caso daquele aqui mencionado, a coisa fica clara.

Assim, ao ver a tal mastodôntica coisa, surgiu-me a supradita dúvida. Considero-a uma honesta dúvida. Uma dúvida natalina autêntica. Logo, recorro aos amigos e amigas, sejam ou não vocês latinistas ou helenistas, ajudem-me. Caso seja ou não sabedor de outro idioma raiz, ilustre-me. Por obséquio, esclareçam-me e sanem de vez esta dúvida atroz: teriam as palavras “presépio” e “presepada” uma raiz comum?

Obrigado.

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scribatus_letra_Anoite mais longa do ano. No Hemisfério Norte, os antigos já a conheciam. Naquela época, eles observavam que o Astro mais brilhante do céu, ao longo de sua trajetória “ao redor da Terra”, em determinado momento atingia a maior declinação em relação ao ponto onde se encontravam. Ali, o Astro “parava” para depois, bem lentamente, reiniciar a sua elegante trajetória de retorno. Naquele instante, eles sabiam, ocorria a noite mais longa do ano.

Depois vieram os romanos. O Astro mais brilhante, chamaram-no de Sol. O momento de sua parada, Solstício (do latim, solis + sistere: “sol que não se mexe”). Era o período do recolhimento (do latim hibernus: “inverno”). Era o Solstício de Inverno, a noite mais longa do ano.

noiteAquele era entendido como um momento de tristeza, como se a Treva estivesse a subjugar a Luz, dominando-a por completo. Assim, não somente o consideravam como um momento de recolhimento, de reflexão, mas também de pesar, às vezes de quase deseperança. Todavia, os antigos já a conheciam e sabiam de sua transitoriedade. Quis a sabedoria deles escolhesse este momento, justamente este momento, para indicar o nascimento da esperança, uma semente que mostrava aos homens a certeza da glória vindoura.

Destarte, em diversas culturas originais do hemisfério norte, narram-se lendas sobre a natividade de uma criança ocorrida em pleno Solstício de Inverno. Mithras lhes chamavam os helenos, os persas e depois os romanos; Hórus, os egípcios; Jesus, os cristãos; Krishna, os hindus; apenas para citar algumas. Em cada um dos mitos, a criança era comemorada como uma espécie de redentor, de salvador, o agente que aos poucos venceria a noite mais longa do ano. Neles, o nascituro era o símbolo do Sol. Sua vida, desde seu momento mais “fraco” até o mais “forte”, indicava – entre tantas outras mensagens – o contínuo ciclo da existência humana.

De todas, talvez a mensagem mais impactante da natividade destes salvadores míticos seja mesmo a esperança. Foi na noite mais longa do ano que eles nasceram. Assim, a Natividade, o Natal, o Solstício de Inverno (no Hemisfério Norte), nos oferece uma oportunidade tanto para refletir quanto para comemorar.

Refletimos sobre nosso ano que se encerra, sobre nossos erros e acertos, pensamos a respeito daqueles que não mais se encontram entre nós e que tantas saudades por aqui deixaram. Contudo comemoramos. Comemoramos tudo de bom que a vida nos trouxe e – com Esperança – tudo que ainda trará a cada um de nós.

Um ótimo Natal a todos.

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