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Posts Tagged ‘Paulo Freire’

gotica_h_negraoje me lembrei de um professor que tive. Foi lá em pleno “científico”, atual ensino médio, quando fiquei quase um ano sob sua tutela. A recordação foi provocada por um pequeno blá blá blá que casualmente li aqui no facebook. Nele, alguém que me pareceu ser uma “educadora” fazia comentários lisonjeiros a quem dizia ser “o melhor educador do mundo”.

Achei interessante a coisa, mas fiquei meio desconfiado, pois o polarizado ponto de vista da moça apontava sempre para o mesmo lugar. Em suma, ela surrava o que – certamente inspirada pelo melhor do mundo – chamava de “ensino de bancada”. Era um discurso que desmoralizava formas tradicionais de ensino, em favor de um conhecimento mais, na palavra dela, socializado. Algo do tipo, cadeiras arrumadas em círculo, eliminação do posto fixo do professor e demais sequelas de mesmo estilo.

Foi neste momento que aquela recordação brotou de minha memória. Mais especificamente quando aquele professor entrou em sala de aula. Todos nós, alunos terceiranistas, movidos por aquele inesgotável entusiasmo púbere, tocávamos a maior zona na sala e não percebemos a entrada do velho mestre. Entretanto, aos pouco, demo-nos conta da presença desta criatura, estranha e impassível, lá no recinto. Levemente constrangidos, mas sem perder o ar de deboche, fomos nos acomodando em nossos lugares. De repente, um pesado silêncio tomou conta da sala. Então ele, bem tranquilamente, ajeitou seus óculos e nos disse algo como:

Professor_2– Bom dia turma. Já que vocês estão em respeitoso silêncio, posso então me apresentar. Meu nome é Luís, Luís Lessa, e estou aqui com uma tarefa, ensinar-lhes história. Não é uma tarefa muito fácil, mas pode ser bastante prazerosa. Assim, gostaria de fazer um trato com vocês, um acordo bem simples. É possível? Ótimo. Pois bem, o trato é o seguinte: eu falo, vocês escutam e estudam.

Imediatamente depois começou a aula. Roma antiga. A turma, meio perplexa, escutava o mestre. Cerca de trinta minutos depois, ele soltou um leve “escutar não os eximem de perguntar”. Logo, uma pergunta ou outra ia surgindo e a aula continuava fluindo como se fosse mágica.

Na verdade, hoje sei, era de fato mágica: a magia de aprender com quem realmente sabe e que não esconde qualquer vício com a suposta virtuosidade de didatismos hodiernos. Passamos o terceiro ano todo deste modo.

Este Mestre foi um dos melhores que tive.

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